domingo, 27 de janeiro de 2008

O Magistério Não É Um Sacerdócio!

A sabedoria popular cria os jargões e clichês e os dominadores os utilizam a fim de satisfazer seus interesses ideológicos.
A afirmação de que o magistério é um sacerdócio é comumente empregada em reuniões pedagógicas e seminários educacionais nas mais diferentes escolas em todos os rincões da pátria que nos viu nascer. Mas, a quem de fato interessa tal assertiva? Aos professores e profissionais da educação? Certamente não é!
Primeiramente, o professor não é um sujeito que dirige uma congregação de fiéis seguidores de uma doutrina religiosa ou de um rito aceito e praticado em nome de uma divindade qualquer. Ele não foi ordenado padre, pastor, pai-de-santo, mulá islâmico, rabino, guru indiano ou mestre budista. Ele é um indivíduo que estudou anos a fio, sujeitou-se às mais duras intempéries econômicas, psicológicas e legislacionais. Em um país onde as coisas mudam ao sabor das irresponsabilidades e dos jogos políticos escusos, quem pode começar um curso superior com perfeita segurança de que o terminará? Quantos podem fazer, sem enorme custo, uma pós-graduação? Quem pode aspirar a um mestrado decente dentro, ou fora do país? Quantas vezes ao longo de um curso simples de graduação as regras do jogo mudam? Grades curriculares se alteram e professores são trocados?
Secundariamente, a quem interessa passar a figura de sacralização do magistério? A quem lucra com educação, seja financeira, seja politicamente, ou os dois. Esta posição põe professores e profissionais da educação na posição de chantageados emocionalmente a fim de que estes cumpram tudo quanto lhes for exigido com profundo sentimento de dever e obrigação. Que, os tais, não reivindiquem nada além do contratual e que não criem dificuldades e barreiras aos educandos, mesmo em relação aos mais indisciplinados, mal educados e desinteressados. Aos ensinadores, cabe suportar sozinhos toda a dor e toda a frustração, porque afinal ele é um guia, um instrumento de Deus na Terra para ajudar a produzir uma sociedade mais justa.
Tudo isto é fruto de uma pedagogia dos oprimidos criada e desenvolvida pela ideologia marxista, a qual pretende usar a sala de aula como elemento de reorientação das tendências políticas e sociais, desde que isto renda votos à esquerda. Dissipam eles a idéia de educação gratuita para todos, mas pouco se importam com a qualidade do processo. Escancaram as portas das faculdades públicas em facilidades e amenidades aos educandos, mas nega-lhes o direito à honestidade do cumprimento de programas e conteúdos. Coitadizam os de origem pobre, mas nega-lhes o direito de aprender e apreender de fato saberes e conhecimentos que os levará à superação da condição de pobreza e miséria. Formam legiões de analfabetos funcionais que, algo depois, estarão reivindicando direitos e facilidades para trabalhar e competir com os que de fato estudaram com seriedade e afinco.
Na verdade, o sistema educacional que aí está é um ciclope, pois vê com um olho só. O Estado é míope ou se finge de míope, uma vez que vem facilitando a entrada de estudantes em todos os níveis, mas não se preocupa com o gargalo da saída no final do processo. Entram analfabetos e saem emburrecidos, uma vez que não adquirem, nem habilidade, nem competência. O mercado de trabalho está transbordando de burros motivados, pois a escola virou palco de auto-ajuda e solução de problemas familiares, morais e emocionais. Cria na mente dos estudantes menos favorecidos a falsa sensação de que uma vez diplomados, estarão asseguradas as suas vagas. Isto não é verdadeiro, salvo aos que saem de fato profissionalizados.
Há no processo educativo brasileiro, uma espécie de "mea culpa, mea maxima culpa", especialmente em ralação às comunidades negras, ou afro-descendentes, como se quer. Como se as cotas fossem corrigir os anos de escravagismo. As cotas, são a mais elevada expressão de preconceito "racial", uma vez que, coloca o negro em uma condição de inferioridade ao competir nos vestibulares e avaliações seriadas em determinado grau de vantagem. O governo não divulga mas, é grande a evasão escolar nas universidades públicas por parte de negros e pessoas que tiveram o acesso facilitado. Impressiona o fato de que os próprios movimentos de consciência negra não sejam contra a lei das cotas, visto que são tão afiados a ver e requerer atitudes "racistas" contra os da sua etnia.
Não satisfeito na condução de políticas equivocadas, o governo que aí está, busca desenvolver a idéia de separar cotas para estudantes oriundos das escolas públicas, em um claro atestado de incompetência. Claro! É mais viável facilitar o acesso, que investir com seriedade na melhora da educação pública no país.
Então, diante do exposto fica claro que o professor não é um sacerdote, a educação não é um sacerdócio e a escola não é um palco teatral onde atores e platéia se divertem a fim de superar seus traumas sociais, ideológicos e psicológicos. Educação é coisa séria e, sem ela, nenhum país superará a condição de subdesenvolvido, ainda que seja rico em recursos naturais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Infelizmente, essa é a real situação. A velha mania de querer tapar o sol com a peneira. Essa questão das cotas para alunos de escolas públicas é um atestado de incompetência, e isso está muito claro. Vi a reportagem de que a UFU acabou com o seu processo de avaliação seriada. A partir desse ano não abrirão mais vagas para isso, pois essas vagas serão direcionadas aos alunos de escolas públicas. As cotas para negros, nem preciso dizer, porque tá muito clichê. É uma forma de inferiorizar o negro, com certeza. Se a educação fosse boa, não precisariam ficar remediando desse jeito.

Eu tenho é medo disso tudo.

=(