sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação VI

Transcrição de um e-mail recebido sobre o assunto da doutrinação nas escolas brasileiras. O fato retratado nesta questão prova o quanto a doutrinação na educação é um projeto orquestrado e conduzido por forças as mais diferentes. É de se admirar que os donos desta instituição, o COC, tomem estas atitudes tão radicais e irracionais, pois no fundo, se o socialismo triunfar neste país, eles serão os primeiros a irem para a grilhotina ou, pelo menos, perderão as suas vultosas somas de dinheiro ganhas com a venda de apostilas e livros didáticos.
Forwarded message From: Miguel Nagib
Date: 19/12/2007 12:34Subject:
Uma vitória da liberdade de expressãoTo:
Prezados Amigos,

Em decisão memorável, publicada ontem (18.12.2007), o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu o recurso da jornalista Mírian Macedo e do coordenador do EscolasemPartido.org, Miguel Nagib, contra a liminar concedida pelo Juiz da 5ª Vara Cível de Ribeirão Preto, proibindo, a pedido do Sistema COC de Ensino e da Editora COC , a publicação do artigo Luta sem Classe.
O mérito da causa – onde o COC pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais – ainda será julgado pelo Juiz de Ribeirão.
A seguir, trechos do voto proferido pelo relator do recurso, Desembargador NEVES AMORIM (para ler o inteiro teor da decisão, clique aqui):
As decisões atacadas não podem prevalecer, sendo necessário o provimento do presente recurso em sua totalidade. Consagra nossa Magna Carta, em seu artigo 5º:
"é livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato" (inciso IV)
"é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem" (inciso V)
"é livre a expressão da atividade intelectual artística científica e de comunicação independentemente de censura ou licença" (inciso IX)
Os postulados constitucionais devem ser base para qualquer decisão judicial, ainda mais quando se tratar de questão, como nos presentes autos, amplamente tratada por nossa Lei Maior.
No caso em tela, o texto da sra. Mirian Macedo, ao apontar "supostos problemas" existentes no material didático da agravada COC, não teve, em momento algum, intenção de prejudicar o sistema de ensino, mas sim, alertar a população (principalmente os pais que tenham filhos em idade escolar) a respeito do conteúdo presente nas apostilas do COC. Sua manifestação tem cunho crítico, mas também altamente informativo, com demonstração de profunda pesquisa realizada pela agravante antes de publicar sua opinião.
A partir do momento em que a agravada COC, em sua atividade empresarial (alvo de severas críticas, por sinal, em sua própria apostila), publica material didático com o intuito de obter lucro, não pode se furtar de receber críticas fundamentadas (como no caso em tela). Esta é a pedra de toque da atividade empresarial, se de um lado um lucro muito grande pode ser obtido, de outro, existe sempre o risco de insucesso do negócio ou de críticas por parte dos consumidores (como ocorreu, já que a agravante é mãe de uma menína que utilizava o material do COC para seu aprendizado).
Com a devida vênia, a justificativa do magistrado singular para suas decisões (fl. 504), "concedida foi a tutela em antecipação dada a consabida existência e consistência do dito sistema de ensino através dos anos", não se sustenta, pois caso tal entendimento fosse adotado, as apostilas do COC também deveriam ser censuradas, como foi a opinião da sra. Mirian, já que afirmam categoricamente que a Igreja teria legitimado a escravidão, e esta Instituição tem "consabida existência" infinitamente maior do que o sistema COC.
Dessa forma, em sede de cognição sumária, antes da apresentação de defesa por parte dos réus e produção de qualquer prova a respeito da veracidade das alegações trazidas pelas partes, o texto da agravante não poderia ter sido retirado de circulação, pois tal medida desrespeita a liberdade de expressão da agravante, presente em nossa Constituição, que, aliás, também resguarda o direito de resposta, exercido pelo sistema COC, e o direito à indenização, faculdade também exercida pela agravada, que já invocou o Poder Judiciário, por meio da ação principal.
Ante o exposto, a opinião da sra. Mirian Macedo, que deu ensejo à presente ação judicial e a inúmeras manifestações em diversos sites, sendo alvo, inclusive, de reportagem da Revista Veja (fls. 332/333), não pode, nesta fase de cognição sumária, ser censurada.
Assim, pelo meu voto, rejeito as preliminares e dou provimento ao recurso para afastar o entendimento do magistrado singular e permitir a veiculaçào, por ora, do texto em questão, sem incidência de qualquer multa.
Visite e divulgue o http://www.escolasempartido.org/

- NOVIDADES -

PT denuncia propaganda antipetista em escola do DF. Leia aqui.
Denúncia de propaganda partidária em apostila do Anglo Vestibulares. Leia aqui.
Abaixo-assinado contra o molestamento ideológico no Colégio de São Bento. Leia também o comentário de Reinaldo Azevedo.
Educação ou lavagem cerebral?, por Juan Ygnacio Koffler Anazco.
Coordenador do EscolasemPartido.org comenta entrevista do Ministro da Educação à revista Veja. Leia aqui.
Mais uma denúncia de Ali Kamel: livro de História faz propaganda do PT. Não deixe de ler os comentários de Reinaldo Azevedo
Participe da Campanha do Cartaz Antidoutrinação
Caso COC: dossiê completo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação V

Assim se abre um dos artigos postados no blog Escola Sem Partido: "A contaminação político-ideológica do ambiente acadêmico afeta gravemente os exames vestibulares, já que o professor militante é também, eventualmente, examinador militante."
Observa-se que é um processo articulado, consciente e meticuloso de lavagem cerebral completa. Hoje, o raro é encontrar algum professor universitário, especialmente, os das instituições públicas, que não defenda ou milite à esquerda. Não se sabe se apenas para ser bem-visto ou como engajado, mas é fato. A questão é fruto de uma malversação acerca dos conceitos sobre o que é ser liberal, conservador, de direita, etc. Embora, os mais bem aquinhoados de conhecimento saibam que os termos "esquerda" e "direita" precindem de uma reavaliação cronológica e ideológica, preferem continuar dando a conotação que lhes convém.
Sabe-se que há inumeráveis maneiras de se impregnar as consciências com a ideologia que se quer. Em uma prova de vestibular isto pode acontecer desde a escolha dos examinadores, passando pelos livros indicados no programa da universidade, textos utilizados, imagens selecionadas, fatos abordados nos enunciados até as próprias alternativas. O método mais utilizado na atualidade é o recorte proposital dos fatos pré-estabelecidos. Tal recorte, conciste em selecionar apenas as abordagens que satisfazem a intecionalidade maniqueísta e dirigista por trás do processo.
Na trama, apresentam de forma insinuosa os exploradores e explorados, os oprimidos e os opressores, as vítimas e os vitimadores. Neste sentido, fazer um bom vestibular está muito além de se preparar, conhecer os assuntos delimitados nos editais das universidades. Passa, obrigatoriamente, pelo fundo da agulha ideológica dos doutrinadores e aliciadores da educação. O candidato necessita além do essencial, tentar advinhar como pensa o examinador, isto é, se ele é de centro, de esquerda ou de direita. O estudante se sente como o personagem do livro, "O Processo" de Fraz Kafka. É massacrado dentro de uma máquina preconcebida para filtrar o acesso ao ensino superior. Esta é uma ação deliberada para retirar o que se convencionaou chamar no Brasil de "elites dominadoras" do poder. Porém, se isto tudo é um processo diálético, no final acabará substituindo uma "elite" por outra construída desonestamente. Bem diz o adágio popular: "quem desdenha, quer comprar", pois a esquerda faz, agora, exatamente o que sempre criticou e condenou na direita, e um pouco mais.
No mesmo blog "Escola Sem Partido", sob o título, "educação sem doutrinação", na seção vestibular, encontra-se a opinião do advogado e coordenador do blog, Miguel Nagib, o artigo "Vestibular Vermelho", o seguinte: "Nagib resume as características do que considera uma questão com influências ideológicas: “a realidade é resumida ao lado bom de um lado, e o lado mau do outro; do lado bom estão sempre os trabalhadores, os índios, os países do Terceiro Mundo, revolucionários em geral, Che Guevara – ídolo absoluto –, a Revolução Francesa, Cuba, o MST, o socialismo, o humanismo, o Renascimento; do lado mau estão sempre a Idade Média, a Igreja Católica, os Estados Unidos, o capitalismo, a burguesia, os militares”. No entanto, o advogado faz uma ressalva: “o problema não é falar mal – os erros devem ser sempre apontados. O problema é ignorar e esconder qualquer coisa que os ‘vilões’ tenham feito de bom, e que os ‘mocinhos’ tenham feito de ruim”, diz."
Qualquer concepção histórica que avalia como o bem, e como, invariavelmete verdadeiro, apenas um fato e seus atores, não pode ser encarada como historiografia, mas como fábula artificialmete composta para enganar os incautos. A primeira e mais premente característica do cronista é ser imparcial, pois do contrário, estará amestrando e aliciando as mentes.
A dita, ou maldita, esquerda perdeu a noção de que há intelectualidade e racionalidade, ignora que à direita e nos campos neutros, se é que eles existem, também haja quem pense.

A Escola Como Elemento de Doutrinação IV

Entre as muitas tentativas de justificar o dirigismo e o patrulhismo ideológico nos livros didáticos, ressalta-se com importante a do professor Célio Cunha, assessor de educação da UNESCO, no Brasil. Ele põe em campo a sua teoria: "os professores empreenderam uma grade luta de retorno à democacia, estamos em uma fase de transição. Naturalmente estes livros refletem a realidade recente do país. É a continuidade desse processo que nos colocará, daqui a alguns anos, em um ponto de equlíbrio." Acontece que, qualquer pessoa que tenha o mínimo de formação acadêmica sabe que não se pode fazer futurologia histórica. Além do mais, onde o socialismo foi instaurado e produziu democracia? Este processo de transição já provou historicamente ser uma faca de dois gumes: ou leva o país a uma guerra civil ou implanta uma ditadura de esquerda, à semelhança do que já aconteceu em Cuba, Leste Europeu, Albânia, e vem acontecendo na Venezuela, Bolívia, etc.
Os "esquerdofrênicos" sempre culpam a "ditadura miliatar" por todas as mazelas do Brasil. Todavia, deixam de mostrar o reverso da moeda, onde, o regime militar, ainda que autoritário, fez muito pelo país e, graças a inúmeras obras realizadas é que hoje, governos esquerdistas conseguem algum sucesso em termos econômicos. Em muitos setores onde a iniciativa privada não teve ânimo para atuar, os militares entraram e realizaram obras importantíssias para o contexto atual do país. Alegar que tais obras foram as custas do endividamento, não é a única resposta possível, pois nenhum país subdesenvolvido consegue sobreviver sem uma relação macroeconômica com os mercados mundiais. E, tal relação passa obrigatoriamente pela dependência financeira e tecnológica.
A pedagoga da Universidade de Brasília, Bárbara Freitag, argumenta na reportagem da revista Época, alçando a seguinte pérola: "os livros de história de qualquer sociedade não têm, necessariamente, um compromisso com a verdade. Diariamente aparecem denúncias e descobertas que impõem a revisão do que se escreveu e permitem uma aproximação à verdade." Resta saber a que categoria de verdade ela se refere, porque colocar uma visão unilateral, na qual o socialismo é a única via plausível a uma determinada sociedade, é, no mínimo, simplista para não dizer tolo. O que está sendo discutido neste momento acerca dos livros didático não é, se o conteúdo escrito é uma verdade indefectível, mas, sim, o porquê de se divinizar o socialismo e satanizar o capitalismo e todos os seus pressupostos.
Os latinos diziam que a história é mãe e mestra "historia matter et magistra est". Em que sentido este brocardo faz sentido? No aspecto em que a compreensão dos fatos passados permite reorientar os rumos do presente a fim de evitar erros futuros. Assim, pode-se tomar a lição da história recente na Alemanha. Após a II Guerra Munial, a Alemanha foi dividia por conta da composição dos vencedores da guerra na Conferência de Yalta. Assim, formaram-se a RFA - República Federal da Alemanha - chamada de Alemanha Ocidental que permanece no sitema capitalista sob intervenção dos Estados Unidos, da França e da Inglaterra. A outra fatia da Alemanha tornou-se a RDA - República Democrática da Alemanha - cognominada de Alemanha Oriental, a qual, por força da intervenção soviética adotou o modelo socialista. Pois bem, algumas décadas depois, os rumos da "guerra fria" foram alterados e a "cortina de ferro" foi removida. Houve a reunificação das Alemanhas em Outubro de 1990, e o que se viu na medida em que o "muro da vergonha" foi sendo retirado? Viu-se a Alemanha Ocidental, capitalista, quarta potência econômica do mundo e a Alemanha Oriental, socialista, um dos países mais atrasados socioeconomicamente do mundo. Ora, quer laboratório mais eloqüente do que este? Porque os países do Leste Europeu, entre eles a Alemanha, não prosperaram? Seria mesmo o socialismo a única via possível ao bem-estar do homem e da sociedade como um todo? Porque os países da antiga "Walfare States", todos capitalisas, conseguiram um padrão socioeconômico muito acima do padrão conseguido em países ditos socialistas, entre eles Cuba, Albânia, Coréia do Norte, etc?
Em sociedades mais conscientes e mais verdadeiras, os pais participam atentamente ao desdobramento do processo educativo dos seus filhos. Na Iglaterra, por exemplo, cobraram das autoridades explicações de o porquê de os livros de hitória estarem abrandando os fatos que falam da colonização inglesa e da participação do país nas duas grandes guerras mundiais. A explicação foi que, na Inglaterra há muitos alunos de origem indiana e africana nas escolas, a suavização ajudaria a evitar nacionalismo e do xenofobismo.
Na Alemanha, por exemplo, as autoridades são mito exigentes, não apenas com o teor dos livros didáticos, mas com os professores que darão as aulas. Se um professor suavizar o nazismo, é imediataente exonerado. Qualquer demonstração de nacionalismo, como, cantar o hino nacional na escola é vetada.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, o ensino dirigista e unilateral nos livros didáticos e o patrulhamento ideológico do professor distorcem a finalidade da educação. A questão é que muitos desses professores conduzem o processo em sala de aula por pura passionalidade e não com profissionalismo. Alguns alegam que é necessário despertar a cosciência crítica dos jovens, todavia, para eles, esta consciência crítica só tem validade se for do ponto de vista marxista ou esquerdista. Assim, se comprova o dirigismo e o patrulhismo ideológico, causando um profundo dano pessoal aos estudantes, deteriorando a finalidade e os objetivos da educação, além de prejudicar o avanço do país rumo à modernidade, visto que o modelo socialista é estatizante, coletivista e anti-democrático em sentido mais amplo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação III

O aspecto mais intrigante no processo de lavagem cerebral nas escolas é a escolha dos livros didáticos. O jornalista Ali Kamel de O Globo foi o primeiro a questionar os conteúdos dos livros didáticos. Ele publicou diversos artigos criticando o conteúdo dirigista e patrulhista de alguns livros adotados pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão petista. Kamel deu ênfase ao livro Nova História Crítica, como sendo uma "tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialistmo."
Acontece que os livros didáticos são distribuídos para nada menos do que 42 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio em todo país. Neste ponto, os estudantes se tornam mármores brutos, nos quais os "esquerdopatas" vão esculpindo as suas ideologias contorcidas da realidade.
A revista Época, de 22 de Outubro de 2007, traz em suas páginas 60 a 70, uma vasta análise de alguns livros didáticos, sob o título: "O que estão ensinando às nossas crianças?" A reportagem mostra por confrontação, o que diz determinado capítulo e o que falta ser dito neste mesmo capítulo. Desta forma fica evidente o caráter sectarista e manipulador dos conteúdos dos tais livros. Além disso, a reportagem de Época, ressalta as posições de alguns acadêmicos e do próprio MEC, na pesossa do atual ministro da educação, Fernando Haddad. Há quase uma unanimidade em concordar com os conteúdos, e o ministro da educação apoia a escolha dos livros com os conteúdos unilaterais, óbvio!
Na página 69, a reportagem da referida revista mostra um esquema de como os livros didáticos são escolhidos. Nas escolas públicas a seqüência é a seguinte: "o autor escreve o livro didático"; o MEC envia os livros para as universidades públicas distribuídas por disciplinas, onde o conteúdo é avaliado por uma banca de professores da área; as univeridades têm seis meses para elaborar um parecer e justificar quais livros são aprovados ou excluídos; a lista é reenviada ao MEC, que envia a lista de exclusão e a justificativa de tal, dos livros não aprovados pelas editoras; a lista é disponibilizada na internet e as escolas públicas escolhem os livros que irão utilizar; o MEC compra os livros que vão para as mãos dos alunos no início do ano letivo." Nas escolas particulares, o sitema é mais simplificado: os vendedores das editoras expõem os livros às escolas, que os adquirem ou indicam aos alunos, embora a maioria delas adotem os livros já avaliados e aprovados pelo MEC. Quanto as apostilas adotadas no lugar do livro didático em algumas escolas, são produzidas por empresas da área de educação, sendo que estas apostilas não passam por qualquer tipo de avaliação peleo MEC.
Na reportagem de Época, mostra-se o testemunho da mãe de um aluno na cidade de Lages, em Santa Catarina. Ela foi despertada quando verificou a lição de casa do filho, que estuda em uma escola da rede privada. Ao folhear o livro, "Terra e Propriedade", da coleção História Temática, encontrou uma foto de José Rainha, líder do MST. Ali, naquele conteúdo foi colocado apenas que ele era um líder social. Não havia nenhuma informação adicional, mostrando que este homem fora condenado pela justiça por diversos crimes. Ao ler mais aprofundadamente, a mãe de Gabriel de 13 anos, cursando a 7ª série à época, ficou mais indignada ao perceber a mesma apologia ao socialismo, ressaltando os poderosos sempre como os vilões, e os proletários sempre como coitados. O fato é que, neste país criou-se este paradigma: ser rico é sinônimo de ser mau, enquanto ser pobre é sinônimo de opressão programada e sistemática.
A verdade é que não se pode passar valores, juízos e ideologias unilateramente. É necessário oferecer ao estudante e ao ser humano, em geral, todas as vertentes e deixá-lo fazer a sua própria percepção crítica da realidade. Esta mania de satanizar o capitalismo e divinizar o socialismo produz na cabeça da criança uma visão maniqueísta da vida.
Estes fatos nos remetem ao livro de George Orwell, "A Revolução dos Bichos", no qual os porcos doutrinavam as ovelhas assim: "quatro patas, bom, duas patas mau". Qualquer pessoa razoavelmente inteligente, sabe que a melhor maneira de fazer ocultação da verdade é passá-la como se fora mentira. Este tem sido o processo pouco original da esquerda em todos os tempo e lugares. O material didático assume papel muito relevante neste processo, uma vez que é a única leitura entendida como tendo grande significação por parte do aluno, uma vez que é avaliada e aprovada por pessoas e órgãos supostamente confiáveis.
É salutar que se reflita e se discuta ampla e exaustivamente qualquer tema político e ideológico em uma sociedade que se gaba de ser democrática. Todavia, é insalubre conduzir as mentes numa teia de conceitos e idéias cujos fundamentos estão sendo discutidos e discutíveis nos dias atuais. O fim da "Guerra Fria" touxe no seu bojo e à tona, tudo o que estava oculto. Mostrou o falseamento dos modelos socialistas e os erros capitalistas. Nisto tudo não há nenhum mal, entretanto, quando alguém por qualquer razão resolve premiar autores que, sequer, são especialistas, utilizar livros didáticos para aliciar e conduzir meninos a uma única verdade, é, no mínimo criminoso.

A Escola Como Elemento de Doutrinação II

Há um fenômeno denominado de "Síndrome de Estocolmo", o qual consiste no fato de o sequestrado, que é a vítima, desenvolver uma profunda afeição pelo seu sequestrador, que é o criminoso. Isto ocorre porque, de tanto ouvir sobre as razões porque o sequestrador se tornou um contraventor, o sequestrado acaba por concluir que a vítima é aquele, e não, o sequestrado. Afinal, o sequestrador comete delitos, porque os libertadores, são perseguidores, injustos e exploradores que o levaram a esta situação criminosa. Ele é apenas uma pessoa pobre e que não teve oportunidades, por isso, foi vitimada pelo sistema e, portanto, sem opção. A sua causa é justa e justifica a sua opção pelo crime.
Por símile, alguns estudantes estão assumindo que, de vítimas passam a vitimadores. Eles sofrem uma tão incomensurável lavagem cerebral, que acabam por defender os seus aliciadores como grandes virtuoses do saber. Na verdade, acabam por concluir que o sistema é maléfico e que os seus aliciadores são os verdadeiros libertadores. Observa-se este fenômeno, no constante enfrentamento entre filhos de classe média e seus pais empresários ou autoridades. Também, as constantes ocupações de campus universitários e lideranças estudantis que presumem poder ditar regras e mudar as normas estatuídas por força da suas discordâncias ideológicas.
Muitos professores são aliciadores e cabos eleitorais dentro das escolas, especialmente as públicas, enquanto os conteúdos sofrem solução de continuidade. Não se preocupam em passar os conhecimentos fundamentais a partir dos quais os estudantes podem chegar às suas próprias conclusões e, assim, optarem livremente a qual postura ideológica querem servir.
Obviamente, todo o processo doutrinatório aqui denunciado é tratado e trabalhado dentro de um contexto "politicamente correto". Geralmente, se diz que a escola deve servir ao despertamento de uma consciência crítica. Isto é verdade sim, porém, não apenas a uma predeterminada ideologia, não a um direcionamento e condução das mentes, sem lhes dar a chance de ver o oposto. O que se vê, de fato, é um doutrinamento dirigido e pré-concebido nos próceres do marxismo cultural, fajuto, capenga e mal compreendido por intelectualóides que se dizem libertários.
Paulo Freire é tido como a "deidade" da sabedoria educacional no Brasil. Dentre os diversos aspectos do seu projeto, fala-se muito em levar para a experiência da sala de aula, a realidade que cerca e permeia o educando, a fim de que este desenvolva o seu saber sintonizado à sua realidade vivencial. É uma experiência de transferência do saber e do conhecimento sem violar a realidade psicológica e emocional do aluno. Então, neste caso, poder-se-ia afirmar que, valeria a pena levar bandidos armados para a sala de aula a fim de demonstrar como se faz um assalto e de como se molesta a sociedade, pois esta não é uma das realidades do educando de uma invasão, favela ou morro? Não vejo em que isto poderia contribuir para reorientar as tendências e promover habilidades e competências no educando.
Nos anos acadêmicos, quando se falava de determinados fatos da história com certo escárnio, o principal alvo era o regime militar, claro! Dele se falava horrores que nunca aconteceram, passava-se a ideia de que, cada militar era um verdadeiro e potencial assassino. Desenvolvia-se a noção de que a única atividade e diversão dos governos militares era torturar, prender e matar inocentes pessoas que queriam apenas viver, se divertir e serem felizes. Quem viveu, cresceu e estudou nesse tempo, e que tenha o mínimo de decência, sabe perfeitamente que não houve um fato gratuito e fortuito. Todos os que foram, de alguma forma e em algum grau, molestados, não o foram sem uma razão, justa ou injusta. Muitos torturados sofreram, porque enfrentaram as tropas em falsos movimentos estudantis, outros porque acreditaram ser possível derrubar o regime e retomar os rumos do socialismo de Jango, Brizola e outros. Outros ainda mataram, assaltaram, sequestraram e bateram em nome da liberdade e da democracia. Democracia, esta, que não ficou provada em nenhum país que adotou o Socialismo, que, de tão contrário à proposta marxista original, acabou sendo chamado de "socialismo real". Real, justamente porque, a única realidade foram os modelos impostos antidemocraticamente por líderes inescrupulosos, os quais usaram o poder para oprimir as massas entorpecidas pela propaganda anti-capitalista e anti-burguesa. Em nenhum país onde o sistema Socialista foi implantado houve democracia, ao contrário, neles, o povo era apenas massa de manobra e escravos do Estado, enquanto os dirigentes, a chamada 'nomenklatura' ou 'troika' vivia arregaladamente como burgueses. Vá a Cuba, lá ainda se vê a diferença no estilo de vida do povo e dos dirigentes do Partido Comunista Cubano.
Este é o mesmo processo que vem sendo realizando no Brasil e em alguns países alatino-americanos nos últimos tempos. É o mesmo discurso e a sala de aula é um promissor palanque. Este é o testemunho de Thiago Lopes enviada ao site "Escola Sem Partido" em 05/09/2005: "Eu dizia com orgulho 'sou comunista', eu queria ver a revolução estourar, eu queria ver FHC sendo guilhotinado, eu queria ser Lênin, pegar em armas e vencer o maléfico Capitalismo para nascer a sociedade justa, aquela que poeticamente havia sido mostrada para mim. Tudo isso se deu graças à imagem que me passaram, onde apenas 1 lado da história é mostrado..."
Prof. Santos

A Escola Como Elemento de Doutrinação I

O brasileiro é muito crédulo e isto lhe retira a vantagem da percepção imediata dos fatos, visto que a credulidade em qualquer nível, aliena o homem, seja para bem ou para mal. Esta credulidade não se restringe apenas à esfera do sobrenatural e do mítico, mas também, e principalmente, dos fatos do dia-a-dia. Na economia, espera-se vigorosamente por um milagre que venha produzir abastância e riqueza tal, que todos possam ser aquinhoados pela distribuição de renda; na política espera-se sempre que os políticos sejam honestos; na justiça espera-se invariavelmente por acordãos que publicados no rigor do reto e perfeito juízo; na educação espera-se jubilosamente que a escola seja o agente promotor de conhecimentos, que, por fim, conduza o educando à suprema sabedoria, a qual lhe permita ter vida digna e progresso.
Vive-se no Brasil uma espécie de "Síndrome de Colibri", ou seja, em determinado momento, um eufórico ativismo, em outro momento um torpor tal, que não se consegue agir e reagir a nada. Esta síndrome vem sendo desenvolvida lenta e gradativamente pelos sistemas de dominação e controle dos que supõem dirigir os destinos das coisas e dos homens. É um progressivo processo de imunização por pequenas doses de delitos, improbidades, abusos, desvios e deslizes de pequena monta.
A mídia brasileira é, em geral, extremamente tendenciosa e revisionista, no sentido em que apenas alardeia o que lhe serve como trampolim. Está atenta sim, aos fatos, porém, os publica, quando os publica, de acordo com seus acordos. Apoia-se este ou aquele candidato, em função do tamanho da fatia que auferirá na propaganda institucinal, na parcela de dinheiro público para financiar ou pagar dívidas privadas e irresponsáveis. Por estas razões, esta mesma mídia se pronuncia, ou se cala sobre determinados assuntos, na proporção que se estabelecem tratados com os governantes do momento. Estes, obviamente, se dão aos desfrute de distribuir as benesses de conformidade com a proposta de maior ou menor apoio por parte da grande média.
Desde o fim do regime militar, o país tem passado por diversos e diferentes experimentos político-econômico, todavia, nenhum deles com profundidade e seriedade. São planos econômicos ortodoxos, heterodoxos e até mesmo acéfalos, porém frustrantes. O povo, como sempre, paga a conta no das contas, pois afinal estão todos entorpecidos pelas contrainformações e desinformações da mass media comprometida em se perpetuar no poder com o poder.
Desde a reforma do ensino em 1971, altamente criticada por setores progressistas, não se tem feito absolutamente nada consistente neste segmento. Tudo o que se fez até aqui, pelos governos ditos democráticos foram amenidades e facilidades para promover o educando de uma série à outra sem que ele tenha de fato apreendido os saberes. O estudante passa pelos bancos das escolas, entretanto, saem no final do processo sem habilidade e sem competência. A verdade desse fato é a realidade das milhares de vagas e dos postos de trabalho que não podem ser ocupados por incapacidade dos que realizam testes e provas para ocupá-los. Não basta ter um certificado, é necessário ter qualificação!
A despeito de todas estas verdades, qualquer estudante medíocre em conhecimentos está apto a falar bem de uma determinada ideologia em detrimento de outra. Defendem pessoas e políticas com grande desenvoltura e, as vezes, com intensa sofreguidão, como se isto lhe fora o único projeto de vida. Nenhum manacial corre sem que haja uma fonte. Assim, estas posturas são resultantes de um imenso, intenso e profícuo trabalho de doutrinação nas salas de aula. Há uma ação sistemática de aliciamento ideológico pelo país, a partir dos próprios agentes promotores da educação, passando pelos materiais didáticos até chegar ao próprio educando.
Nas últimas três décadas, vem ocorrendo uma profunda campanha de detração de qualquer linha de pensamento ideológico conservador. Tornou-se preocupante qualquer pessoa se manifestar de direita ou conservador sobre qualquer assunto. Ser de direita tornou sinônimo de maldade, mesquinhês, ganância, dominação e exploração. Até os desatinos dos últimos governos denominados de esquerda, as pessoas se privavam de dizer que eram conservadoras ou de direita. Agora, alguns já estão se aventurando reafirmar suas posições, porque a história e os fatos se encarregaram de provar que os homens são feitos do mesmo material e a reivindicação de que só a esquerda era honesta caiu por terra. As gordas propinas escoaram pelos valeriodutos e foram distribuídas pelos conta-gotas do mensalão. Ainda que estas categorias de esquerda ou direita sejam, a meu ver, um discurso anacrônico, de qualquer forma, ainda é um referencial para distinção de posturas e posições.
Há uma profunda e meticulosa doutrinação no campo ideológico dentro das escolas, desde as séries iniciais até o nível superior. Milhares de professores, todos os dias e em diferentes lugares utilizam das salas de aula como palanques políticos. Alguns estão tão compungidos a este affair que nem se apercebem mais do que estão falando. Em muitos casos estão discutindo algo absolutamente transversalizado e fora do contexto, mas o importane é falar, e falar mal de tudo o que abominam. Geralmente, o que abominam é qualquer possibilidade de o capitalismo ser bem visto, a burguesia ser considerada e a direita ser respeitada como uma alternativa. Tudo o que defendem é a permanência da pseudo-esquerda no poder e do seu progresso rumo à instalação de um sistema socialista, mas que, de fato, não é marxista. Mesmo diante dos contínuos e evidentes insucessos do famígero modelo na China, na ex-URSS, na empobrecida Cuba de Fidel, até as miseráveis Albânia e Coréia do Norte, eles acreditam piamente que é a melhor opção para o Brasil, para a América Latina e, quem sabe, para o mundo.