terça-feira, 13 de maio de 2008

Educação Pelas Lentes de Quem Educa III

A qual das acepções da palavra educação se quer abordar neste espaço? Há muitas possibilidades de abordagem desse tema, dependendo do que se pretende com ele. Pode-se afirmar, por exemplo, que educar é o ato ou o efeito de educar-se, e neste caso, o processo é um auto-exercício do próprio objeto da educação, a saber, o educando. Por isso, se pode afirmar que ninguém poderá motivar o educando, salvo se ele mesmo quiser ser educável. Quando Esther Gross foi secretária de educação no Rio Grande do Sul, afirmou em uma entrevista na rádio Jovem Pan, que a educação formal não é para todos. Isto pareceu um contra-senso, entretanto, ela tinha toda razão, pois há pessoas que não são educáveis do ponto de vista formal. Estas pessoas até poderão se dar muito bem em termos de sucesso profissional e financeiro pela vida. Não necessitando, obrigatoriamente, de um diploma para tanto. Eles têm tino para negócios, para atividades práticas, mas não para estudos exaustivos.
Também se diz da educação como o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. Neste sentido, pode-se falar em educação da juventude, educação de adultos, educação sexual, educação artística e educação de excepcionais. É um sentido mais abrangente e duradouro da educação.
Educação ainda pode se referir aos conhecimentos ou às aptidões resultantes de um processo, ou mesmo do preparo para a vida. Neste caso pode-se falar dos autodidatas, isto é, aqueles que alcançam conhecimentos por esforço pessoal. Educação é também o acervo científico e os métodos empregados na obtenção de tais resultados. Tais resultados são entendidos como a instrução, o ensino, como alguém que é uma autoridade em educação. Educar pode ser, ainda, uma mera referência ao nível, ou tipo de ensino disponiblizado em uma sociedade, tal como, ensino primário, secundário, ou superior.
Educação pode ser o aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, ou mesmo, o conhecimento e prática dos usos da sociedade, civilidade, delicadeza, polidez, cortesia. Neste caso se diz que uma pessoa é muito educada.
Finalmente admite-se como educação a capacidade da arte de ensinar e adestrar animais, ou o adestramento de um cão, por exemplo. Ainda se aplica a arte de cultivar as plantas e de as fazer reproduzir nas melhores condições possíveis para se auferirem delas bons resultados.
O fato é que, é necessário aprender a apreender para, então, ensinar. Grande parte dos cursos de formação de docentes é inadequada, precisamente, porque leva o aprendiz de educação à uma enfadonha leitura teórica de Jean Piaget, Paulo Freire, Lev Vygotsky, Henri Wallon, entre outros, mas isto não o prepara para a realidade cotidiana na sala de aula, arena do processo ensino-aprendizagem. É nesse palco que emergem todas as experiências vivenciadas e vividas pelo educando. Ali os atores educadores se deparam com dilemas oriundos dos lares desestruturados, das famílias com problemas de desequilíbrios psicológicos, financeiros, morais e, sobretudo, educacionais. Chega-se a um ponto que é necessário à escola educar os pais, para, só então educar os filhos.
64% dos professores entrevistados na pesquisa já mencionada afirmam que tiveram uma formação inicial excelente ou muito boa. Também, 49% admitem que a formação acadêmica pouco os preparou para a sala de aula. Mostram que há uma constante disparidade entre a teoria apreendida e o desempenho real das funções regenciais em aula. Ainda 80% participou de cursos de formação continuada e 90% se declaram satisfeitos com a sua própria didática.
Bem, diante deste quadro pitoresco, para não dizer dantesco, alguém está equivocado neste pais.

Educação Pelas Lentes de Quem Educa II

São recorrentes os modismos dos que conduzem a política educacional no Brasil. Cada ministro que sucede o anterior apresenta projetos mirabolantes com títulos pomposos, porém de pequena monta no tocante à melhoria real do desempenho. A cada nova avaliação massificada do governo, vê-se o nível de desempenho despencando. O Brasil, hoje perde em qualidade de desempenho até mesmo para alguns países mais pobres do mundo. A questão não está restrita à inteligência dos educandos, pois é ponto passivo que há multiplas formas de inteligências. Também é corrente o fato que todos os seres humanos são, em algum nível ou grau, inteligêntes o suficiente para se despontar como exímio em alguma área do conhecimento. A questão se restringe, todavia, na má qualificação dos professores, na falta de reengenharia dos educadores e da quase ausência de processos continuados e eficazes na ensinagem. Permita-me o neologismo!
É sofrível o nível dos cursos superiores que preparam os futuros professores. Há um acordo tácito entre os estudantes das cátedras de educação, visto que, aqueles necessitam de um diploma para se ingressarem rapidamente em uma profissão, enquanto estas, querem formar o máximo de turmas e aumentar os seus ganhos sem muito invetimento em tecnologias.
A maior fragilidade da base educacional consiste na dificuldade de relação correta entre o educador e o educando, bem com com o ambiente de trabalho e seus equipamentos e pressupostos. Os professores são vistos pela sociedade em geral, e pelos alunos, em particular, como alguém que não estudou e, portanto, resolveu dar aulas. É o famoso, "virou professor"! Os alunos, por sua vez, são vistos por professores que não se acham bem pagos o suficiente para desgastarem suas vidas, como preguiçosos, desinteressados e indisciplinados. De fato cada visão desta pode ser verdadeira, na medida em que não se preza por uma política educacional de qualidade e de resultados efetivos. Tudo é uma questão de ajustamento dos papéis e do cumprimento destes papéis corretamente. Comumente a família do educando é percebida como a origem da maior parte dos males do aluno, não apenas em suas deficiências de aprendizagem, mas sobretudo, em seus dilemas psicológicos, éticos e morais.
É fato em todas as áreas de atividades, que, quando um profissional não consegue desempenhar bem o seu papel, busca-se imediatamente um culpado lá fora. Na escola esta recorrência é mais visível, porque bastam meia dúzia de palavras em uma reunião pedagógica e todos balançam suas cabeças concordantemente de que o problema é o aluno e a sua família. Joga-se para fora dos portões da escola a culpabilidade a fim de se livrar de uma insatisfação e preguiça latentes. Dizem que, quando se repete indefinidamente uma mentira, com o tempo ela passa a ser vista como verdade. Este é um método bolchevista muito praticado em escolas.
Na referida pesquisa do primeiro artigo apontou-se como principais problemas da sala de aula, os seguintes: 77% são devidos à ausência dos pais no acompanhamento dos filhos em termos educacionais. É fato que eles jogam os filhos para dentro dos portões da escola e entrega-lhes absolutamente aos cuidados de diretores, professores e assistentes. Cerca de 70% afirmam que os alunos são desmotivados. Pode até ser mesmo, porque concorrem com a escola muitos atrativos de um lado e a imaturidade do educando, para a realidade da vida do outro lado. Entretanto, os "pensadores" da educação devem estabelecer parâmetros para equacionar esta falha também. Ainda, cerca de 69% atribuem ao insucesso do aprendizado à indisciplina e a falta de atenção dos educandos. Isto é o óbvio ululante, pois na infância e na adolescência, em plena explosão hormonal, em aberta descoberta do sentido da vida e dos acenos mais atraentes da parafernalha oferecida pela sociedade tecnocrata, quem vai dar valor a aula? Quanto mais, quando o que rege a classe é, por definição e por natureza um mal informado, mal humorado e mal educado no sentido de educação formal.
Neste cenário aparecem os burocratas implantados nos gabinetes ministeriais, nos conselhos de educação e nas secretarias de educação pelos amigos políticos. Muitos destes desinformatas sairam da militância como cabos eleitorais para uma confortável poltrona de couro em algum gabinete. Nunca estiveram em uma escola na periferia de uma grande cidade dando aulas. Traçam seus planos mirabolantes, às custas de assessores igualmente desinformados que não passam de intelectualóides de esquerda ou de direita, os quais copiam projetos bons para a Suíça e querem que dêem certo no Brasil.

Educação Pelas Lentes de Quem Educa I

Uma pesquisa recente da revista Nova Escola e do IBOPE realizada entre professores de escolas públicas traz à lume aquilo que se pode perceber pelo senso comum. Persiste um profundo e amargo paradoxo no processo educacional brasileiro: de um lado, professores apaixonados pelo que fazem, do outro lado, uma política educacional perversa e mal gerenciada. Cerca de 53% dos professores entrevistados declararam amor à profissão, mas, apenas 21% estão satisfeitos com o seu desempenho profissional. Apenas 14% acreditam que estão preparando os seus alunos para o futuro. Muitos deles reconhecem a qualidade das séries iniciais como excelente, entretanto, afirmam não estar preparados para o exercício da regência e para enfrentar a dura realidade da sala de aula.
Não há dúvidas de que as lentes de quem concretiza o processo educativo são mais acuradas do que as lentes dos burocratas da educação. Estes, ao contrário daqueles, consomem a maior parte das verbas destinadas ao processo. O fato é que os professores executam uma educação pensada por desinformatas de gabinete, e que, em muitos casos, nunca estiveram efetivamente em uma sala de aula.
As discrepâncias são visíveis, pois 63% dos professores relatam viver em nível significativo de estresse. Isto porque, 48% ressentem de mais segurança contra a violência nas escolas. Ainda, 54% estão descontentes com os benefícios recebidos, 47% com o salário e 47% com a sobreposição de papéis, isto é, a acumulação do papel de professor e intermediário entre o aluno e a sua família. Cerca de 83% têm consciência da importância da profissão, isto é muito, considerando as condições em que desempenham suas funções. Também, 80% já participaram de cursos de capacitação após a formatura, então, a questão não é de incompetência, mas de valorização do profissional.
Conclui-se que educar hoje, no Brasil, é uma tarefa árdua e amarga na medida em que faltam estímulos e respostas, tanto dos que "pensam" a educação, quanto dos que a executam e, especialmente, dos que a recebem. A pesquisa aponta a maneira como os professores brasileiros se relacionam com a profissão que um dia abraçaram por idealismo e como meio de sobrevivência. Neste cenário, o que não faltam são os famigerados "especialistas" cuja especialidade é só por o dedo na ferida, sem lhe minorar a dor. Tornou-se lugar comum neste país, alguém fazer uma revisão de leitura acerca de alguma área de atividade, para depois disparar suas baterias contra quase tudo, com se fossem grandes virtuoses. Estes críticos assim procedem até que algum amigo de algum político os convida para algum cargo. A partir da mudança de eixo de ação, eles igualmente mudam o discurso e passam a defender o que antes condenavam.
Assim, se vai produzindo e reproduzindo uma educação ruim, porque não se consegue estabelecer um ponto de equilíbrio entre a montivação e a prática educativa. Aquela pecha que o magistério é um sacerdócio é, na verdade, um discurso ideológico para enganar o profissional. O sacerdote come, veste, vai ao médico, ao dentista, se diverte, precisa morar, se deslocar, cuida da sua família, precisa se reciclar, ler e reavaliar seus métodos. Fazendo um paralelo, pode-se afirmar que, mesmo no ofício do sacerdócio judaico, os sacerdotes eram sustentados pela população com seus dízimos e ofertas alçadas.
No cristianismo, Paulo, afirmou que quem prega o evangelho deve viver do evangelho. Afinal, até mesmo os relógios trabalham corretamente se a eles for acrescentada uma bateria ou lhes for dada a corda. Esta máxima neotestamentária que de graça recebeste, de graça dai, é apenas no sentido de que não se deve cobrar para anunciar a graça de Deus. Não se vende a graça, pois do contrário ela já não seria graça, mas mercadoria. Entretanto, se paga o tempo de dedicação, pois a pessoa poderia prover os seus meios de vida desempenhando outra função na sociedade.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação VI

Transcrição de um e-mail recebido sobre o assunto da doutrinação nas escolas brasileiras. O fato retratado nesta questão prova o quanto a doutrinação na educação é um projeto orquestrado e conduzido por forças as mais diferentes. É de se admirar que os donos desta instituição, o COC, tomem estas atitudes tão radicais e irracionais, pois no fundo, se o socialismo triunfar neste país, eles serão os primeiros a irem para a grilhotina ou, pelo menos, perderão as suas vultosas somas de dinheiro ganhas com a venda de apostilas e livros didáticos.
Forwarded message From: Miguel Nagib
Date: 19/12/2007 12:34Subject:
Uma vitória da liberdade de expressãoTo:
Prezados Amigos,

Em decisão memorável, publicada ontem (18.12.2007), o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu o recurso da jornalista Mírian Macedo e do coordenador do EscolasemPartido.org, Miguel Nagib, contra a liminar concedida pelo Juiz da 5ª Vara Cível de Ribeirão Preto, proibindo, a pedido do Sistema COC de Ensino e da Editora COC , a publicação do artigo Luta sem Classe.
O mérito da causa – onde o COC pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais – ainda será julgado pelo Juiz de Ribeirão.
A seguir, trechos do voto proferido pelo relator do recurso, Desembargador NEVES AMORIM (para ler o inteiro teor da decisão, clique aqui):
As decisões atacadas não podem prevalecer, sendo necessário o provimento do presente recurso em sua totalidade. Consagra nossa Magna Carta, em seu artigo 5º:
"é livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato" (inciso IV)
"é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem" (inciso V)
"é livre a expressão da atividade intelectual artística científica e de comunicação independentemente de censura ou licença" (inciso IX)
Os postulados constitucionais devem ser base para qualquer decisão judicial, ainda mais quando se tratar de questão, como nos presentes autos, amplamente tratada por nossa Lei Maior.
No caso em tela, o texto da sra. Mirian Macedo, ao apontar "supostos problemas" existentes no material didático da agravada COC, não teve, em momento algum, intenção de prejudicar o sistema de ensino, mas sim, alertar a população (principalmente os pais que tenham filhos em idade escolar) a respeito do conteúdo presente nas apostilas do COC. Sua manifestação tem cunho crítico, mas também altamente informativo, com demonstração de profunda pesquisa realizada pela agravante antes de publicar sua opinião.
A partir do momento em que a agravada COC, em sua atividade empresarial (alvo de severas críticas, por sinal, em sua própria apostila), publica material didático com o intuito de obter lucro, não pode se furtar de receber críticas fundamentadas (como no caso em tela). Esta é a pedra de toque da atividade empresarial, se de um lado um lucro muito grande pode ser obtido, de outro, existe sempre o risco de insucesso do negócio ou de críticas por parte dos consumidores (como ocorreu, já que a agravante é mãe de uma menína que utilizava o material do COC para seu aprendizado).
Com a devida vênia, a justificativa do magistrado singular para suas decisões (fl. 504), "concedida foi a tutela em antecipação dada a consabida existência e consistência do dito sistema de ensino através dos anos", não se sustenta, pois caso tal entendimento fosse adotado, as apostilas do COC também deveriam ser censuradas, como foi a opinião da sra. Mirian, já que afirmam categoricamente que a Igreja teria legitimado a escravidão, e esta Instituição tem "consabida existência" infinitamente maior do que o sistema COC.
Dessa forma, em sede de cognição sumária, antes da apresentação de defesa por parte dos réus e produção de qualquer prova a respeito da veracidade das alegações trazidas pelas partes, o texto da agravante não poderia ter sido retirado de circulação, pois tal medida desrespeita a liberdade de expressão da agravante, presente em nossa Constituição, que, aliás, também resguarda o direito de resposta, exercido pelo sistema COC, e o direito à indenização, faculdade também exercida pela agravada, que já invocou o Poder Judiciário, por meio da ação principal.
Ante o exposto, a opinião da sra. Mirian Macedo, que deu ensejo à presente ação judicial e a inúmeras manifestações em diversos sites, sendo alvo, inclusive, de reportagem da Revista Veja (fls. 332/333), não pode, nesta fase de cognição sumária, ser censurada.
Assim, pelo meu voto, rejeito as preliminares e dou provimento ao recurso para afastar o entendimento do magistrado singular e permitir a veiculaçào, por ora, do texto em questão, sem incidência de qualquer multa.
Visite e divulgue o http://www.escolasempartido.org/

- NOVIDADES -

PT denuncia propaganda antipetista em escola do DF. Leia aqui.
Denúncia de propaganda partidária em apostila do Anglo Vestibulares. Leia aqui.
Abaixo-assinado contra o molestamento ideológico no Colégio de São Bento. Leia também o comentário de Reinaldo Azevedo.
Educação ou lavagem cerebral?, por Juan Ygnacio Koffler Anazco.
Coordenador do EscolasemPartido.org comenta entrevista do Ministro da Educação à revista Veja. Leia aqui.
Mais uma denúncia de Ali Kamel: livro de História faz propaganda do PT. Não deixe de ler os comentários de Reinaldo Azevedo
Participe da Campanha do Cartaz Antidoutrinação
Caso COC: dossiê completo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação V

Assim se abre um dos artigos postados no blog Escola Sem Partido: "A contaminação político-ideológica do ambiente acadêmico afeta gravemente os exames vestibulares, já que o professor militante é também, eventualmente, examinador militante."
Observa-se que é um processo articulado, consciente e meticuloso de lavagem cerebral completa. Hoje, o raro é encontrar algum professor universitário, especialmente, os das instituições públicas, que não defenda ou milite à esquerda. Não se sabe se apenas para ser bem-visto ou como engajado, mas é fato. A questão é fruto de uma malversação acerca dos conceitos sobre o que é ser liberal, conservador, de direita, etc. Embora, os mais bem aquinhoados de conhecimento saibam que os termos "esquerda" e "direita" precindem de uma reavaliação cronológica e ideológica, preferem continuar dando a conotação que lhes convém.
Sabe-se que há inumeráveis maneiras de se impregnar as consciências com a ideologia que se quer. Em uma prova de vestibular isto pode acontecer desde a escolha dos examinadores, passando pelos livros indicados no programa da universidade, textos utilizados, imagens selecionadas, fatos abordados nos enunciados até as próprias alternativas. O método mais utilizado na atualidade é o recorte proposital dos fatos pré-estabelecidos. Tal recorte, conciste em selecionar apenas as abordagens que satisfazem a intecionalidade maniqueísta e dirigista por trás do processo.
Na trama, apresentam de forma insinuosa os exploradores e explorados, os oprimidos e os opressores, as vítimas e os vitimadores. Neste sentido, fazer um bom vestibular está muito além de se preparar, conhecer os assuntos delimitados nos editais das universidades. Passa, obrigatoriamente, pelo fundo da agulha ideológica dos doutrinadores e aliciadores da educação. O candidato necessita além do essencial, tentar advinhar como pensa o examinador, isto é, se ele é de centro, de esquerda ou de direita. O estudante se sente como o personagem do livro, "O Processo" de Fraz Kafka. É massacrado dentro de uma máquina preconcebida para filtrar o acesso ao ensino superior. Esta é uma ação deliberada para retirar o que se convencionaou chamar no Brasil de "elites dominadoras" do poder. Porém, se isto tudo é um processo diálético, no final acabará substituindo uma "elite" por outra construída desonestamente. Bem diz o adágio popular: "quem desdenha, quer comprar", pois a esquerda faz, agora, exatamente o que sempre criticou e condenou na direita, e um pouco mais.
No mesmo blog "Escola Sem Partido", sob o título, "educação sem doutrinação", na seção vestibular, encontra-se a opinião do advogado e coordenador do blog, Miguel Nagib, o artigo "Vestibular Vermelho", o seguinte: "Nagib resume as características do que considera uma questão com influências ideológicas: “a realidade é resumida ao lado bom de um lado, e o lado mau do outro; do lado bom estão sempre os trabalhadores, os índios, os países do Terceiro Mundo, revolucionários em geral, Che Guevara – ídolo absoluto –, a Revolução Francesa, Cuba, o MST, o socialismo, o humanismo, o Renascimento; do lado mau estão sempre a Idade Média, a Igreja Católica, os Estados Unidos, o capitalismo, a burguesia, os militares”. No entanto, o advogado faz uma ressalva: “o problema não é falar mal – os erros devem ser sempre apontados. O problema é ignorar e esconder qualquer coisa que os ‘vilões’ tenham feito de bom, e que os ‘mocinhos’ tenham feito de ruim”, diz."
Qualquer concepção histórica que avalia como o bem, e como, invariavelmete verdadeiro, apenas um fato e seus atores, não pode ser encarada como historiografia, mas como fábula artificialmete composta para enganar os incautos. A primeira e mais premente característica do cronista é ser imparcial, pois do contrário, estará amestrando e aliciando as mentes.
A dita, ou maldita, esquerda perdeu a noção de que há intelectualidade e racionalidade, ignora que à direita e nos campos neutros, se é que eles existem, também haja quem pense.

A Escola Como Elemento de Doutrinação IV

Entre as muitas tentativas de justificar o dirigismo e o patrulhismo ideológico nos livros didáticos, ressalta-se com importante a do professor Célio Cunha, assessor de educação da UNESCO, no Brasil. Ele põe em campo a sua teoria: "os professores empreenderam uma grade luta de retorno à democacia, estamos em uma fase de transição. Naturalmente estes livros refletem a realidade recente do país. É a continuidade desse processo que nos colocará, daqui a alguns anos, em um ponto de equlíbrio." Acontece que, qualquer pessoa que tenha o mínimo de formação acadêmica sabe que não se pode fazer futurologia histórica. Além do mais, onde o socialismo foi instaurado e produziu democracia? Este processo de transição já provou historicamente ser uma faca de dois gumes: ou leva o país a uma guerra civil ou implanta uma ditadura de esquerda, à semelhança do que já aconteceu em Cuba, Leste Europeu, Albânia, e vem acontecendo na Venezuela, Bolívia, etc.
Os "esquerdofrênicos" sempre culpam a "ditadura miliatar" por todas as mazelas do Brasil. Todavia, deixam de mostrar o reverso da moeda, onde, o regime militar, ainda que autoritário, fez muito pelo país e, graças a inúmeras obras realizadas é que hoje, governos esquerdistas conseguem algum sucesso em termos econômicos. Em muitos setores onde a iniciativa privada não teve ânimo para atuar, os militares entraram e realizaram obras importantíssias para o contexto atual do país. Alegar que tais obras foram as custas do endividamento, não é a única resposta possível, pois nenhum país subdesenvolvido consegue sobreviver sem uma relação macroeconômica com os mercados mundiais. E, tal relação passa obrigatoriamente pela dependência financeira e tecnológica.
A pedagoga da Universidade de Brasília, Bárbara Freitag, argumenta na reportagem da revista Época, alçando a seguinte pérola: "os livros de história de qualquer sociedade não têm, necessariamente, um compromisso com a verdade. Diariamente aparecem denúncias e descobertas que impõem a revisão do que se escreveu e permitem uma aproximação à verdade." Resta saber a que categoria de verdade ela se refere, porque colocar uma visão unilateral, na qual o socialismo é a única via plausível a uma determinada sociedade, é, no mínimo, simplista para não dizer tolo. O que está sendo discutido neste momento acerca dos livros didático não é, se o conteúdo escrito é uma verdade indefectível, mas, sim, o porquê de se divinizar o socialismo e satanizar o capitalismo e todos os seus pressupostos.
Os latinos diziam que a história é mãe e mestra "historia matter et magistra est". Em que sentido este brocardo faz sentido? No aspecto em que a compreensão dos fatos passados permite reorientar os rumos do presente a fim de evitar erros futuros. Assim, pode-se tomar a lição da história recente na Alemanha. Após a II Guerra Munial, a Alemanha foi dividia por conta da composição dos vencedores da guerra na Conferência de Yalta. Assim, formaram-se a RFA - República Federal da Alemanha - chamada de Alemanha Ocidental que permanece no sitema capitalista sob intervenção dos Estados Unidos, da França e da Inglaterra. A outra fatia da Alemanha tornou-se a RDA - República Democrática da Alemanha - cognominada de Alemanha Oriental, a qual, por força da intervenção soviética adotou o modelo socialista. Pois bem, algumas décadas depois, os rumos da "guerra fria" foram alterados e a "cortina de ferro" foi removida. Houve a reunificação das Alemanhas em Outubro de 1990, e o que se viu na medida em que o "muro da vergonha" foi sendo retirado? Viu-se a Alemanha Ocidental, capitalista, quarta potência econômica do mundo e a Alemanha Oriental, socialista, um dos países mais atrasados socioeconomicamente do mundo. Ora, quer laboratório mais eloqüente do que este? Porque os países do Leste Europeu, entre eles a Alemanha, não prosperaram? Seria mesmo o socialismo a única via possível ao bem-estar do homem e da sociedade como um todo? Porque os países da antiga "Walfare States", todos capitalisas, conseguiram um padrão socioeconômico muito acima do padrão conseguido em países ditos socialistas, entre eles Cuba, Albânia, Coréia do Norte, etc?
Em sociedades mais conscientes e mais verdadeiras, os pais participam atentamente ao desdobramento do processo educativo dos seus filhos. Na Iglaterra, por exemplo, cobraram das autoridades explicações de o porquê de os livros de hitória estarem abrandando os fatos que falam da colonização inglesa e da participação do país nas duas grandes guerras mundiais. A explicação foi que, na Inglaterra há muitos alunos de origem indiana e africana nas escolas, a suavização ajudaria a evitar nacionalismo e do xenofobismo.
Na Alemanha, por exemplo, as autoridades são mito exigentes, não apenas com o teor dos livros didáticos, mas com os professores que darão as aulas. Se um professor suavizar o nazismo, é imediataente exonerado. Qualquer demonstração de nacionalismo, como, cantar o hino nacional na escola é vetada.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, o ensino dirigista e unilateral nos livros didáticos e o patrulhamento ideológico do professor distorcem a finalidade da educação. A questão é que muitos desses professores conduzem o processo em sala de aula por pura passionalidade e não com profissionalismo. Alguns alegam que é necessário despertar a cosciência crítica dos jovens, todavia, para eles, esta consciência crítica só tem validade se for do ponto de vista marxista ou esquerdista. Assim, se comprova o dirigismo e o patrulhismo ideológico, causando um profundo dano pessoal aos estudantes, deteriorando a finalidade e os objetivos da educação, além de prejudicar o avanço do país rumo à modernidade, visto que o modelo socialista é estatizante, coletivista e anti-democrático em sentido mais amplo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação III

O aspecto mais intrigante no processo de lavagem cerebral nas escolas é a escolha dos livros didáticos. O jornalista Ali Kamel de O Globo foi o primeiro a questionar os conteúdos dos livros didáticos. Ele publicou diversos artigos criticando o conteúdo dirigista e patrulhista de alguns livros adotados pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão petista. Kamel deu ênfase ao livro Nova História Crítica, como sendo uma "tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialistmo."
Acontece que os livros didáticos são distribuídos para nada menos do que 42 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio em todo país. Neste ponto, os estudantes se tornam mármores brutos, nos quais os "esquerdopatas" vão esculpindo as suas ideologias contorcidas da realidade.
A revista Época, de 22 de Outubro de 2007, traz em suas páginas 60 a 70, uma vasta análise de alguns livros didáticos, sob o título: "O que estão ensinando às nossas crianças?" A reportagem mostra por confrontação, o que diz determinado capítulo e o que falta ser dito neste mesmo capítulo. Desta forma fica evidente o caráter sectarista e manipulador dos conteúdos dos tais livros. Além disso, a reportagem de Época, ressalta as posições de alguns acadêmicos e do próprio MEC, na pesossa do atual ministro da educação, Fernando Haddad. Há quase uma unanimidade em concordar com os conteúdos, e o ministro da educação apoia a escolha dos livros com os conteúdos unilaterais, óbvio!
Na página 69, a reportagem da referida revista mostra um esquema de como os livros didáticos são escolhidos. Nas escolas públicas a seqüência é a seguinte: "o autor escreve o livro didático"; o MEC envia os livros para as universidades públicas distribuídas por disciplinas, onde o conteúdo é avaliado por uma banca de professores da área; as univeridades têm seis meses para elaborar um parecer e justificar quais livros são aprovados ou excluídos; a lista é reenviada ao MEC, que envia a lista de exclusão e a justificativa de tal, dos livros não aprovados pelas editoras; a lista é disponibilizada na internet e as escolas públicas escolhem os livros que irão utilizar; o MEC compra os livros que vão para as mãos dos alunos no início do ano letivo." Nas escolas particulares, o sitema é mais simplificado: os vendedores das editoras expõem os livros às escolas, que os adquirem ou indicam aos alunos, embora a maioria delas adotem os livros já avaliados e aprovados pelo MEC. Quanto as apostilas adotadas no lugar do livro didático em algumas escolas, são produzidas por empresas da área de educação, sendo que estas apostilas não passam por qualquer tipo de avaliação peleo MEC.
Na reportagem de Época, mostra-se o testemunho da mãe de um aluno na cidade de Lages, em Santa Catarina. Ela foi despertada quando verificou a lição de casa do filho, que estuda em uma escola da rede privada. Ao folhear o livro, "Terra e Propriedade", da coleção História Temática, encontrou uma foto de José Rainha, líder do MST. Ali, naquele conteúdo foi colocado apenas que ele era um líder social. Não havia nenhuma informação adicional, mostrando que este homem fora condenado pela justiça por diversos crimes. Ao ler mais aprofundadamente, a mãe de Gabriel de 13 anos, cursando a 7ª série à época, ficou mais indignada ao perceber a mesma apologia ao socialismo, ressaltando os poderosos sempre como os vilões, e os proletários sempre como coitados. O fato é que, neste país criou-se este paradigma: ser rico é sinônimo de ser mau, enquanto ser pobre é sinônimo de opressão programada e sistemática.
A verdade é que não se pode passar valores, juízos e ideologias unilateramente. É necessário oferecer ao estudante e ao ser humano, em geral, todas as vertentes e deixá-lo fazer a sua própria percepção crítica da realidade. Esta mania de satanizar o capitalismo e divinizar o socialismo produz na cabeça da criança uma visão maniqueísta da vida.
Estes fatos nos remetem ao livro de George Orwell, "A Revolução dos Bichos", no qual os porcos doutrinavam as ovelhas assim: "quatro patas, bom, duas patas mau". Qualquer pessoa razoavelmente inteligente, sabe que a melhor maneira de fazer ocultação da verdade é passá-la como se fora mentira. Este tem sido o processo pouco original da esquerda em todos os tempo e lugares. O material didático assume papel muito relevante neste processo, uma vez que é a única leitura entendida como tendo grande significação por parte do aluno, uma vez que é avaliada e aprovada por pessoas e órgãos supostamente confiáveis.
É salutar que se reflita e se discuta ampla e exaustivamente qualquer tema político e ideológico em uma sociedade que se gaba de ser democrática. Todavia, é insalubre conduzir as mentes numa teia de conceitos e idéias cujos fundamentos estão sendo discutidos e discutíveis nos dias atuais. O fim da "Guerra Fria" touxe no seu bojo e à tona, tudo o que estava oculto. Mostrou o falseamento dos modelos socialistas e os erros capitalistas. Nisto tudo não há nenhum mal, entretanto, quando alguém por qualquer razão resolve premiar autores que, sequer, são especialistas, utilizar livros didáticos para aliciar e conduzir meninos a uma única verdade, é, no mínimo criminoso.

A Escola Como Elemento de Doutrinação II

Há um fenômeno denominado de "Síndrome de Estocolmo", o qual consiste no fato de o sequestrado, que é a vítima, desenvolver uma profunda afeição pelo seu sequestrador, que é o criminoso. Isto ocorre porque, de tanto ouvir sobre as razões porque o sequestrador se tornou um contraventor, o sequestrado acaba por concluir que a vítima é aquele, e não, o sequestrado. Afinal, o sequestrador comete delitos, porque os libertadores, são perseguidores, injustos e exploradores que o levaram a esta situação criminosa. Ele é apenas uma pessoa pobre e que não teve oportunidades, por isso, foi vitimada pelo sistema e, portanto, sem opção. A sua causa é justa e justifica a sua opção pelo crime.
Por símile, alguns estudantes estão assumindo que, de vítimas passam a vitimadores. Eles sofrem uma tão incomensurável lavagem cerebral, que acabam por defender os seus aliciadores como grandes virtuoses do saber. Na verdade, acabam por concluir que o sistema é maléfico e que os seus aliciadores são os verdadeiros libertadores. Observa-se este fenômeno, no constante enfrentamento entre filhos de classe média e seus pais empresários ou autoridades. Também, as constantes ocupações de campus universitários e lideranças estudantis que presumem poder ditar regras e mudar as normas estatuídas por força da suas discordâncias ideológicas.
Muitos professores são aliciadores e cabos eleitorais dentro das escolas, especialmente as públicas, enquanto os conteúdos sofrem solução de continuidade. Não se preocupam em passar os conhecimentos fundamentais a partir dos quais os estudantes podem chegar às suas próprias conclusões e, assim, optarem livremente a qual postura ideológica querem servir.
Obviamente, todo o processo doutrinatório aqui denunciado é tratado e trabalhado dentro de um contexto "politicamente correto". Geralmente, se diz que a escola deve servir ao despertamento de uma consciência crítica. Isto é verdade sim, porém, não apenas a uma predeterminada ideologia, não a um direcionamento e condução das mentes, sem lhes dar a chance de ver o oposto. O que se vê, de fato, é um doutrinamento dirigido e pré-concebido nos próceres do marxismo cultural, fajuto, capenga e mal compreendido por intelectualóides que se dizem libertários.
Paulo Freire é tido como a "deidade" da sabedoria educacional no Brasil. Dentre os diversos aspectos do seu projeto, fala-se muito em levar para a experiência da sala de aula, a realidade que cerca e permeia o educando, a fim de que este desenvolva o seu saber sintonizado à sua realidade vivencial. É uma experiência de transferência do saber e do conhecimento sem violar a realidade psicológica e emocional do aluno. Então, neste caso, poder-se-ia afirmar que, valeria a pena levar bandidos armados para a sala de aula a fim de demonstrar como se faz um assalto e de como se molesta a sociedade, pois esta não é uma das realidades do educando de uma invasão, favela ou morro? Não vejo em que isto poderia contribuir para reorientar as tendências e promover habilidades e competências no educando.
Nos anos acadêmicos, quando se falava de determinados fatos da história com certo escárnio, o principal alvo era o regime militar, claro! Dele se falava horrores que nunca aconteceram, passava-se a ideia de que, cada militar era um verdadeiro e potencial assassino. Desenvolvia-se a noção de que a única atividade e diversão dos governos militares era torturar, prender e matar inocentes pessoas que queriam apenas viver, se divertir e serem felizes. Quem viveu, cresceu e estudou nesse tempo, e que tenha o mínimo de decência, sabe perfeitamente que não houve um fato gratuito e fortuito. Todos os que foram, de alguma forma e em algum grau, molestados, não o foram sem uma razão, justa ou injusta. Muitos torturados sofreram, porque enfrentaram as tropas em falsos movimentos estudantis, outros porque acreditaram ser possível derrubar o regime e retomar os rumos do socialismo de Jango, Brizola e outros. Outros ainda mataram, assaltaram, sequestraram e bateram em nome da liberdade e da democracia. Democracia, esta, que não ficou provada em nenhum país que adotou o Socialismo, que, de tão contrário à proposta marxista original, acabou sendo chamado de "socialismo real". Real, justamente porque, a única realidade foram os modelos impostos antidemocraticamente por líderes inescrupulosos, os quais usaram o poder para oprimir as massas entorpecidas pela propaganda anti-capitalista e anti-burguesa. Em nenhum país onde o sistema Socialista foi implantado houve democracia, ao contrário, neles, o povo era apenas massa de manobra e escravos do Estado, enquanto os dirigentes, a chamada 'nomenklatura' ou 'troika' vivia arregaladamente como burgueses. Vá a Cuba, lá ainda se vê a diferença no estilo de vida do povo e dos dirigentes do Partido Comunista Cubano.
Este é o mesmo processo que vem sendo realizando no Brasil e em alguns países alatino-americanos nos últimos tempos. É o mesmo discurso e a sala de aula é um promissor palanque. Este é o testemunho de Thiago Lopes enviada ao site "Escola Sem Partido" em 05/09/2005: "Eu dizia com orgulho 'sou comunista', eu queria ver a revolução estourar, eu queria ver FHC sendo guilhotinado, eu queria ser Lênin, pegar em armas e vencer o maléfico Capitalismo para nascer a sociedade justa, aquela que poeticamente havia sido mostrada para mim. Tudo isso se deu graças à imagem que me passaram, onde apenas 1 lado da história é mostrado..."
Prof. Santos

A Escola Como Elemento de Doutrinação I

O brasileiro é muito crédulo e isto lhe retira a vantagem da percepção imediata dos fatos, visto que a credulidade em qualquer nível, aliena o homem, seja para bem ou para mal. Esta credulidade não se restringe apenas à esfera do sobrenatural e do mítico, mas também, e principalmente, dos fatos do dia-a-dia. Na economia, espera-se vigorosamente por um milagre que venha produzir abastância e riqueza tal, que todos possam ser aquinhoados pela distribuição de renda; na política espera-se sempre que os políticos sejam honestos; na justiça espera-se invariavelmente por acordãos que publicados no rigor do reto e perfeito juízo; na educação espera-se jubilosamente que a escola seja o agente promotor de conhecimentos, que, por fim, conduza o educando à suprema sabedoria, a qual lhe permita ter vida digna e progresso.
Vive-se no Brasil uma espécie de "Síndrome de Colibri", ou seja, em determinado momento, um eufórico ativismo, em outro momento um torpor tal, que não se consegue agir e reagir a nada. Esta síndrome vem sendo desenvolvida lenta e gradativamente pelos sistemas de dominação e controle dos que supõem dirigir os destinos das coisas e dos homens. É um progressivo processo de imunização por pequenas doses de delitos, improbidades, abusos, desvios e deslizes de pequena monta.
A mídia brasileira é, em geral, extremamente tendenciosa e revisionista, no sentido em que apenas alardeia o que lhe serve como trampolim. Está atenta sim, aos fatos, porém, os publica, quando os publica, de acordo com seus acordos. Apoia-se este ou aquele candidato, em função do tamanho da fatia que auferirá na propaganda institucinal, na parcela de dinheiro público para financiar ou pagar dívidas privadas e irresponsáveis. Por estas razões, esta mesma mídia se pronuncia, ou se cala sobre determinados assuntos, na proporção que se estabelecem tratados com os governantes do momento. Estes, obviamente, se dão aos desfrute de distribuir as benesses de conformidade com a proposta de maior ou menor apoio por parte da grande média.
Desde o fim do regime militar, o país tem passado por diversos e diferentes experimentos político-econômico, todavia, nenhum deles com profundidade e seriedade. São planos econômicos ortodoxos, heterodoxos e até mesmo acéfalos, porém frustrantes. O povo, como sempre, paga a conta no das contas, pois afinal estão todos entorpecidos pelas contrainformações e desinformações da mass media comprometida em se perpetuar no poder com o poder.
Desde a reforma do ensino em 1971, altamente criticada por setores progressistas, não se tem feito absolutamente nada consistente neste segmento. Tudo o que se fez até aqui, pelos governos ditos democráticos foram amenidades e facilidades para promover o educando de uma série à outra sem que ele tenha de fato apreendido os saberes. O estudante passa pelos bancos das escolas, entretanto, saem no final do processo sem habilidade e sem competência. A verdade desse fato é a realidade das milhares de vagas e dos postos de trabalho que não podem ser ocupados por incapacidade dos que realizam testes e provas para ocupá-los. Não basta ter um certificado, é necessário ter qualificação!
A despeito de todas estas verdades, qualquer estudante medíocre em conhecimentos está apto a falar bem de uma determinada ideologia em detrimento de outra. Defendem pessoas e políticas com grande desenvoltura e, as vezes, com intensa sofreguidão, como se isto lhe fora o único projeto de vida. Nenhum manacial corre sem que haja uma fonte. Assim, estas posturas são resultantes de um imenso, intenso e profícuo trabalho de doutrinação nas salas de aula. Há uma ação sistemática de aliciamento ideológico pelo país, a partir dos próprios agentes promotores da educação, passando pelos materiais didáticos até chegar ao próprio educando.
Nas últimas três décadas, vem ocorrendo uma profunda campanha de detração de qualquer linha de pensamento ideológico conservador. Tornou-se preocupante qualquer pessoa se manifestar de direita ou conservador sobre qualquer assunto. Ser de direita tornou sinônimo de maldade, mesquinhês, ganância, dominação e exploração. Até os desatinos dos últimos governos denominados de esquerda, as pessoas se privavam de dizer que eram conservadoras ou de direita. Agora, alguns já estão se aventurando reafirmar suas posições, porque a história e os fatos se encarregaram de provar que os homens são feitos do mesmo material e a reivindicação de que só a esquerda era honesta caiu por terra. As gordas propinas escoaram pelos valeriodutos e foram distribuídas pelos conta-gotas do mensalão. Ainda que estas categorias de esquerda ou direita sejam, a meu ver, um discurso anacrônico, de qualquer forma, ainda é um referencial para distinção de posturas e posições.
Há uma profunda e meticulosa doutrinação no campo ideológico dentro das escolas, desde as séries iniciais até o nível superior. Milhares de professores, todos os dias e em diferentes lugares utilizam das salas de aula como palanques políticos. Alguns estão tão compungidos a este affair que nem se apercebem mais do que estão falando. Em muitos casos estão discutindo algo absolutamente transversalizado e fora do contexto, mas o importane é falar, e falar mal de tudo o que abominam. Geralmente, o que abominam é qualquer possibilidade de o capitalismo ser bem visto, a burguesia ser considerada e a direita ser respeitada como uma alternativa. Tudo o que defendem é a permanência da pseudo-esquerda no poder e do seu progresso rumo à instalação de um sistema socialista, mas que, de fato, não é marxista. Mesmo diante dos contínuos e evidentes insucessos do famígero modelo na China, na ex-URSS, na empobrecida Cuba de Fidel, até as miseráveis Albânia e Coréia do Norte, eles acreditam piamente que é a melhor opção para o Brasil, para a América Latina e, quem sabe, para o mundo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

O Apagão Educacional do Governo I

O anexim popular afirma que o pior cego é aquele que não quer ver. Neste sentido, há muitos cegos no Brasil hoje, particularmente no tocante à educação. Enquanto os gestores públicos insistem nas políticas meramente quantitativas, se esquecem das políticas de melhorias qualitativas. Não adianta se preocupar em publicar relatórios convincentes pelo número de matriculados no ensino fundamental, médio ou superior. Ufanar-se de quantas crianças foram levadas à escola; de quantos universitários tiveram acesso ao financiamento educativo; ou de quantos estudantes concluiram uma determinada série; ou de quantos fizeram pós-graduação, mestrado ou doutorado, não eleva a realidade educaional a um plano de excelência.
O desempenho dos estudantes brasileiros é vergonhoso no ranking internacional, segundo a OCDE. Em 57 países, o Brasil ficou no 53º lugar em matemática, no 48º lugar em leitura numa amostragem de 56 países. Na área de ciências a situação não foi muito animadora também, visto que o Brasil ficou no 52º lugar. Evidentemente, os responsáveis pela gestão da educação no Brasil saíram em sua própria defesa, procurando algum ponto de apoio para salvar alguma coisa. Mas, o fato é que está mal, independentemente de posições em rankings nacionais ou internacionais. A questão não é de aparências, mas de eficiência e eficácia que se traduzem em elevação do nível de qualificação profissional.
O interessante é que os dois últimos governos de esquerda escancararam as portas para o surgimento de novas faculdades particulares. Autorizaram centenas de novos cursos em municípios cuja população e o mercado não comportam mais do que uma faculdade e alguns poucos cursos. Tudo isto vem sendo orquestrado, exatamente para forçar as classes média e alta a migrar das universidades públicas para as particulares e, assim, reorientar a ocupação das vagas por alunos de baixa renda e/ou oriundos das escolas públicas.
Com a alteração da lei de aposentadoria, muitos dos melhores professores requereram as suas aposentadorias ou buscaram trabalho nas faculdades privadas, prejudicando muito a qualidade do ensino nas universidades públicas. Esta é outra ferida que muitos fecham os olhos e tapam com o curativo da hipocrisia.
O PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - alerta para os riscos de um baixo desempenho na educação de um país em um mundo que se globaliza e requer cada vez mais mão-de-obra altamente qualificada. Foi este programa que realizou as provas de avaliação de desempenho em 57 países, entre eles o Brasil.
As provas do ENEM de 2007 mostraram a seguinte realidade: 51,52% na parte objetiva, 55,99% na redação em uma escala de 0 a 100. Cerca de 2,7 milhões de estudantes compareceram para fazer o exame.
A avaliação dos cursos superiores foi igualmente calamitosa, por isso, o MEC ameaça fechar cerca de 49 cursos de pedagogia e normal superior, além de 26 cursos de direito e quer também cortar cerca de 7.000 vagas de direito nas faculdades particulares.

O Magistério Não É Um Sacerdócio!

A sabedoria popular cria os jargões e clichês e os dominadores os utilizam a fim de satisfazer seus interesses ideológicos.
A afirmação de que o magistério é um sacerdócio é comumente empregada em reuniões pedagógicas e seminários educacionais nas mais diferentes escolas em todos os rincões da pátria que nos viu nascer. Mas, a quem de fato interessa tal assertiva? Aos professores e profissionais da educação? Certamente não é!
Primeiramente, o professor não é um sujeito que dirige uma congregação de fiéis seguidores de uma doutrina religiosa ou de um rito aceito e praticado em nome de uma divindade qualquer. Ele não foi ordenado padre, pastor, pai-de-santo, mulá islâmico, rabino, guru indiano ou mestre budista. Ele é um indivíduo que estudou anos a fio, sujeitou-se às mais duras intempéries econômicas, psicológicas e legislacionais. Em um país onde as coisas mudam ao sabor das irresponsabilidades e dos jogos políticos escusos, quem pode começar um curso superior com perfeita segurança de que o terminará? Quantos podem fazer, sem enorme custo, uma pós-graduação? Quem pode aspirar a um mestrado decente dentro, ou fora do país? Quantas vezes ao longo de um curso simples de graduação as regras do jogo mudam? Grades curriculares se alteram e professores são trocados?
Secundariamente, a quem interessa passar a figura de sacralização do magistério? A quem lucra com educação, seja financeira, seja politicamente, ou os dois. Esta posição põe professores e profissionais da educação na posição de chantageados emocionalmente a fim de que estes cumpram tudo quanto lhes for exigido com profundo sentimento de dever e obrigação. Que, os tais, não reivindiquem nada além do contratual e que não criem dificuldades e barreiras aos educandos, mesmo em relação aos mais indisciplinados, mal educados e desinteressados. Aos ensinadores, cabe suportar sozinhos toda a dor e toda a frustração, porque afinal ele é um guia, um instrumento de Deus na Terra para ajudar a produzir uma sociedade mais justa.
Tudo isto é fruto de uma pedagogia dos oprimidos criada e desenvolvida pela ideologia marxista, a qual pretende usar a sala de aula como elemento de reorientação das tendências políticas e sociais, desde que isto renda votos à esquerda. Dissipam eles a idéia de educação gratuita para todos, mas pouco se importam com a qualidade do processo. Escancaram as portas das faculdades públicas em facilidades e amenidades aos educandos, mas nega-lhes o direito à honestidade do cumprimento de programas e conteúdos. Coitadizam os de origem pobre, mas nega-lhes o direito de aprender e apreender de fato saberes e conhecimentos que os levará à superação da condição de pobreza e miséria. Formam legiões de analfabetos funcionais que, algo depois, estarão reivindicando direitos e facilidades para trabalhar e competir com os que de fato estudaram com seriedade e afinco.
Na verdade, o sistema educacional que aí está é um ciclope, pois vê com um olho só. O Estado é míope ou se finge de míope, uma vez que vem facilitando a entrada de estudantes em todos os níveis, mas não se preocupa com o gargalo da saída no final do processo. Entram analfabetos e saem emburrecidos, uma vez que não adquirem, nem habilidade, nem competência. O mercado de trabalho está transbordando de burros motivados, pois a escola virou palco de auto-ajuda e solução de problemas familiares, morais e emocionais. Cria na mente dos estudantes menos favorecidos a falsa sensação de que uma vez diplomados, estarão asseguradas as suas vagas. Isto não é verdadeiro, salvo aos que saem de fato profissionalizados.
Há no processo educativo brasileiro, uma espécie de "mea culpa, mea maxima culpa", especialmente em ralação às comunidades negras, ou afro-descendentes, como se quer. Como se as cotas fossem corrigir os anos de escravagismo. As cotas, são a mais elevada expressão de preconceito "racial", uma vez que, coloca o negro em uma condição de inferioridade ao competir nos vestibulares e avaliações seriadas em determinado grau de vantagem. O governo não divulga mas, é grande a evasão escolar nas universidades públicas por parte de negros e pessoas que tiveram o acesso facilitado. Impressiona o fato de que os próprios movimentos de consciência negra não sejam contra a lei das cotas, visto que são tão afiados a ver e requerer atitudes "racistas" contra os da sua etnia.
Não satisfeito na condução de políticas equivocadas, o governo que aí está, busca desenvolver a idéia de separar cotas para estudantes oriundos das escolas públicas, em um claro atestado de incompetência. Claro! É mais viável facilitar o acesso, que investir com seriedade na melhora da educação pública no país.
Então, diante do exposto fica claro que o professor não é um sacerdote, a educação não é um sacerdócio e a escola não é um palco teatral onde atores e platéia se divertem a fim de superar seus traumas sociais, ideológicos e psicológicos. Educação é coisa séria e, sem ela, nenhum país superará a condição de subdesenvolvido, ainda que seja rico em recursos naturais.