terça-feira, 13 de maio de 2008

Educação Pelas Lentes de Quem Educa III

A qual das acepções da palavra educação se quer abordar neste espaço? Há muitas possibilidades de abordagem desse tema, dependendo do que se pretende com ele. Pode-se afirmar, por exemplo, que educar é o ato ou o efeito de educar-se, e neste caso, o processo é um auto-exercício do próprio objeto da educação, a saber, o educando. Por isso, se pode afirmar que ninguém poderá motivar o educando, salvo se ele mesmo quiser ser educável. Quando Esther Gross foi secretária de educação no Rio Grande do Sul, afirmou em uma entrevista na rádio Jovem Pan, que a educação formal não é para todos. Isto pareceu um contra-senso, entretanto, ela tinha toda razão, pois há pessoas que não são educáveis do ponto de vista formal. Estas pessoas até poderão se dar muito bem em termos de sucesso profissional e financeiro pela vida. Não necessitando, obrigatoriamente, de um diploma para tanto. Eles têm tino para negócios, para atividades práticas, mas não para estudos exaustivos.
Também se diz da educação como o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. Neste sentido, pode-se falar em educação da juventude, educação de adultos, educação sexual, educação artística e educação de excepcionais. É um sentido mais abrangente e duradouro da educação.
Educação ainda pode se referir aos conhecimentos ou às aptidões resultantes de um processo, ou mesmo do preparo para a vida. Neste caso pode-se falar dos autodidatas, isto é, aqueles que alcançam conhecimentos por esforço pessoal. Educação é também o acervo científico e os métodos empregados na obtenção de tais resultados. Tais resultados são entendidos como a instrução, o ensino, como alguém que é uma autoridade em educação. Educar pode ser, ainda, uma mera referência ao nível, ou tipo de ensino disponiblizado em uma sociedade, tal como, ensino primário, secundário, ou superior.
Educação pode ser o aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, ou mesmo, o conhecimento e prática dos usos da sociedade, civilidade, delicadeza, polidez, cortesia. Neste caso se diz que uma pessoa é muito educada.
Finalmente admite-se como educação a capacidade da arte de ensinar e adestrar animais, ou o adestramento de um cão, por exemplo. Ainda se aplica a arte de cultivar as plantas e de as fazer reproduzir nas melhores condições possíveis para se auferirem delas bons resultados.
O fato é que, é necessário aprender a apreender para, então, ensinar. Grande parte dos cursos de formação de docentes é inadequada, precisamente, porque leva o aprendiz de educação à uma enfadonha leitura teórica de Jean Piaget, Paulo Freire, Lev Vygotsky, Henri Wallon, entre outros, mas isto não o prepara para a realidade cotidiana na sala de aula, arena do processo ensino-aprendizagem. É nesse palco que emergem todas as experiências vivenciadas e vividas pelo educando. Ali os atores educadores se deparam com dilemas oriundos dos lares desestruturados, das famílias com problemas de desequilíbrios psicológicos, financeiros, morais e, sobretudo, educacionais. Chega-se a um ponto que é necessário à escola educar os pais, para, só então educar os filhos.
64% dos professores entrevistados na pesquisa já mencionada afirmam que tiveram uma formação inicial excelente ou muito boa. Também, 49% admitem que a formação acadêmica pouco os preparou para a sala de aula. Mostram que há uma constante disparidade entre a teoria apreendida e o desempenho real das funções regenciais em aula. Ainda 80% participou de cursos de formação continuada e 90% se declaram satisfeitos com a sua própria didática.
Bem, diante deste quadro pitoresco, para não dizer dantesco, alguém está equivocado neste pais.

Educação Pelas Lentes de Quem Educa II

São recorrentes os modismos dos que conduzem a política educacional no Brasil. Cada ministro que sucede o anterior apresenta projetos mirabolantes com títulos pomposos, porém de pequena monta no tocante à melhoria real do desempenho. A cada nova avaliação massificada do governo, vê-se o nível de desempenho despencando. O Brasil, hoje perde em qualidade de desempenho até mesmo para alguns países mais pobres do mundo. A questão não está restrita à inteligência dos educandos, pois é ponto passivo que há multiplas formas de inteligências. Também é corrente o fato que todos os seres humanos são, em algum nível ou grau, inteligêntes o suficiente para se despontar como exímio em alguma área do conhecimento. A questão se restringe, todavia, na má qualificação dos professores, na falta de reengenharia dos educadores e da quase ausência de processos continuados e eficazes na ensinagem. Permita-me o neologismo!
É sofrível o nível dos cursos superiores que preparam os futuros professores. Há um acordo tácito entre os estudantes das cátedras de educação, visto que, aqueles necessitam de um diploma para se ingressarem rapidamente em uma profissão, enquanto estas, querem formar o máximo de turmas e aumentar os seus ganhos sem muito invetimento em tecnologias.
A maior fragilidade da base educacional consiste na dificuldade de relação correta entre o educador e o educando, bem com com o ambiente de trabalho e seus equipamentos e pressupostos. Os professores são vistos pela sociedade em geral, e pelos alunos, em particular, como alguém que não estudou e, portanto, resolveu dar aulas. É o famoso, "virou professor"! Os alunos, por sua vez, são vistos por professores que não se acham bem pagos o suficiente para desgastarem suas vidas, como preguiçosos, desinteressados e indisciplinados. De fato cada visão desta pode ser verdadeira, na medida em que não se preza por uma política educacional de qualidade e de resultados efetivos. Tudo é uma questão de ajustamento dos papéis e do cumprimento destes papéis corretamente. Comumente a família do educando é percebida como a origem da maior parte dos males do aluno, não apenas em suas deficiências de aprendizagem, mas sobretudo, em seus dilemas psicológicos, éticos e morais.
É fato em todas as áreas de atividades, que, quando um profissional não consegue desempenhar bem o seu papel, busca-se imediatamente um culpado lá fora. Na escola esta recorrência é mais visível, porque bastam meia dúzia de palavras em uma reunião pedagógica e todos balançam suas cabeças concordantemente de que o problema é o aluno e a sua família. Joga-se para fora dos portões da escola a culpabilidade a fim de se livrar de uma insatisfação e preguiça latentes. Dizem que, quando se repete indefinidamente uma mentira, com o tempo ela passa a ser vista como verdade. Este é um método bolchevista muito praticado em escolas.
Na referida pesquisa do primeiro artigo apontou-se como principais problemas da sala de aula, os seguintes: 77% são devidos à ausência dos pais no acompanhamento dos filhos em termos educacionais. É fato que eles jogam os filhos para dentro dos portões da escola e entrega-lhes absolutamente aos cuidados de diretores, professores e assistentes. Cerca de 70% afirmam que os alunos são desmotivados. Pode até ser mesmo, porque concorrem com a escola muitos atrativos de um lado e a imaturidade do educando, para a realidade da vida do outro lado. Entretanto, os "pensadores" da educação devem estabelecer parâmetros para equacionar esta falha também. Ainda, cerca de 69% atribuem ao insucesso do aprendizado à indisciplina e a falta de atenção dos educandos. Isto é o óbvio ululante, pois na infância e na adolescência, em plena explosão hormonal, em aberta descoberta do sentido da vida e dos acenos mais atraentes da parafernalha oferecida pela sociedade tecnocrata, quem vai dar valor a aula? Quanto mais, quando o que rege a classe é, por definição e por natureza um mal informado, mal humorado e mal educado no sentido de educação formal.
Neste cenário aparecem os burocratas implantados nos gabinetes ministeriais, nos conselhos de educação e nas secretarias de educação pelos amigos políticos. Muitos destes desinformatas sairam da militância como cabos eleitorais para uma confortável poltrona de couro em algum gabinete. Nunca estiveram em uma escola na periferia de uma grande cidade dando aulas. Traçam seus planos mirabolantes, às custas de assessores igualmente desinformados que não passam de intelectualóides de esquerda ou de direita, os quais copiam projetos bons para a Suíça e querem que dêem certo no Brasil.

Educação Pelas Lentes de Quem Educa I

Uma pesquisa recente da revista Nova Escola e do IBOPE realizada entre professores de escolas públicas traz à lume aquilo que se pode perceber pelo senso comum. Persiste um profundo e amargo paradoxo no processo educacional brasileiro: de um lado, professores apaixonados pelo que fazem, do outro lado, uma política educacional perversa e mal gerenciada. Cerca de 53% dos professores entrevistados declararam amor à profissão, mas, apenas 21% estão satisfeitos com o seu desempenho profissional. Apenas 14% acreditam que estão preparando os seus alunos para o futuro. Muitos deles reconhecem a qualidade das séries iniciais como excelente, entretanto, afirmam não estar preparados para o exercício da regência e para enfrentar a dura realidade da sala de aula.
Não há dúvidas de que as lentes de quem concretiza o processo educativo são mais acuradas do que as lentes dos burocratas da educação. Estes, ao contrário daqueles, consomem a maior parte das verbas destinadas ao processo. O fato é que os professores executam uma educação pensada por desinformatas de gabinete, e que, em muitos casos, nunca estiveram efetivamente em uma sala de aula.
As discrepâncias são visíveis, pois 63% dos professores relatam viver em nível significativo de estresse. Isto porque, 48% ressentem de mais segurança contra a violência nas escolas. Ainda, 54% estão descontentes com os benefícios recebidos, 47% com o salário e 47% com a sobreposição de papéis, isto é, a acumulação do papel de professor e intermediário entre o aluno e a sua família. Cerca de 83% têm consciência da importância da profissão, isto é muito, considerando as condições em que desempenham suas funções. Também, 80% já participaram de cursos de capacitação após a formatura, então, a questão não é de incompetência, mas de valorização do profissional.
Conclui-se que educar hoje, no Brasil, é uma tarefa árdua e amarga na medida em que faltam estímulos e respostas, tanto dos que "pensam" a educação, quanto dos que a executam e, especialmente, dos que a recebem. A pesquisa aponta a maneira como os professores brasileiros se relacionam com a profissão que um dia abraçaram por idealismo e como meio de sobrevivência. Neste cenário, o que não faltam são os famigerados "especialistas" cuja especialidade é só por o dedo na ferida, sem lhe minorar a dor. Tornou-se lugar comum neste país, alguém fazer uma revisão de leitura acerca de alguma área de atividade, para depois disparar suas baterias contra quase tudo, com se fossem grandes virtuoses. Estes críticos assim procedem até que algum amigo de algum político os convida para algum cargo. A partir da mudança de eixo de ação, eles igualmente mudam o discurso e passam a defender o que antes condenavam.
Assim, se vai produzindo e reproduzindo uma educação ruim, porque não se consegue estabelecer um ponto de equilíbrio entre a montivação e a prática educativa. Aquela pecha que o magistério é um sacerdócio é, na verdade, um discurso ideológico para enganar o profissional. O sacerdote come, veste, vai ao médico, ao dentista, se diverte, precisa morar, se deslocar, cuida da sua família, precisa se reciclar, ler e reavaliar seus métodos. Fazendo um paralelo, pode-se afirmar que, mesmo no ofício do sacerdócio judaico, os sacerdotes eram sustentados pela população com seus dízimos e ofertas alçadas.
No cristianismo, Paulo, afirmou que quem prega o evangelho deve viver do evangelho. Afinal, até mesmo os relógios trabalham corretamente se a eles for acrescentada uma bateria ou lhes for dada a corda. Esta máxima neotestamentária que de graça recebeste, de graça dai, é apenas no sentido de que não se deve cobrar para anunciar a graça de Deus. Não se vende a graça, pois do contrário ela já não seria graça, mas mercadoria. Entretanto, se paga o tempo de dedicação, pois a pessoa poderia prover os seus meios de vida desempenhando outra função na sociedade.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação VI

Transcrição de um e-mail recebido sobre o assunto da doutrinação nas escolas brasileiras. O fato retratado nesta questão prova o quanto a doutrinação na educação é um projeto orquestrado e conduzido por forças as mais diferentes. É de se admirar que os donos desta instituição, o COC, tomem estas atitudes tão radicais e irracionais, pois no fundo, se o socialismo triunfar neste país, eles serão os primeiros a irem para a grilhotina ou, pelo menos, perderão as suas vultosas somas de dinheiro ganhas com a venda de apostilas e livros didáticos.
Forwarded message From: Miguel Nagib
Date: 19/12/2007 12:34Subject:
Uma vitória da liberdade de expressãoTo:
Prezados Amigos,

Em decisão memorável, publicada ontem (18.12.2007), o Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu o recurso da jornalista Mírian Macedo e do coordenador do EscolasemPartido.org, Miguel Nagib, contra a liminar concedida pelo Juiz da 5ª Vara Cível de Ribeirão Preto, proibindo, a pedido do Sistema COC de Ensino e da Editora COC , a publicação do artigo Luta sem Classe.
O mérito da causa – onde o COC pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por danos morais – ainda será julgado pelo Juiz de Ribeirão.
A seguir, trechos do voto proferido pelo relator do recurso, Desembargador NEVES AMORIM (para ler o inteiro teor da decisão, clique aqui):
As decisões atacadas não podem prevalecer, sendo necessário o provimento do presente recurso em sua totalidade. Consagra nossa Magna Carta, em seu artigo 5º:
"é livre a manifestação do pensamento sendo vedado o anonimato" (inciso IV)
"é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem" (inciso V)
"é livre a expressão da atividade intelectual artística científica e de comunicação independentemente de censura ou licença" (inciso IX)
Os postulados constitucionais devem ser base para qualquer decisão judicial, ainda mais quando se tratar de questão, como nos presentes autos, amplamente tratada por nossa Lei Maior.
No caso em tela, o texto da sra. Mirian Macedo, ao apontar "supostos problemas" existentes no material didático da agravada COC, não teve, em momento algum, intenção de prejudicar o sistema de ensino, mas sim, alertar a população (principalmente os pais que tenham filhos em idade escolar) a respeito do conteúdo presente nas apostilas do COC. Sua manifestação tem cunho crítico, mas também altamente informativo, com demonstração de profunda pesquisa realizada pela agravante antes de publicar sua opinião.
A partir do momento em que a agravada COC, em sua atividade empresarial (alvo de severas críticas, por sinal, em sua própria apostila), publica material didático com o intuito de obter lucro, não pode se furtar de receber críticas fundamentadas (como no caso em tela). Esta é a pedra de toque da atividade empresarial, se de um lado um lucro muito grande pode ser obtido, de outro, existe sempre o risco de insucesso do negócio ou de críticas por parte dos consumidores (como ocorreu, já que a agravante é mãe de uma menína que utilizava o material do COC para seu aprendizado).
Com a devida vênia, a justificativa do magistrado singular para suas decisões (fl. 504), "concedida foi a tutela em antecipação dada a consabida existência e consistência do dito sistema de ensino através dos anos", não se sustenta, pois caso tal entendimento fosse adotado, as apostilas do COC também deveriam ser censuradas, como foi a opinião da sra. Mirian, já que afirmam categoricamente que a Igreja teria legitimado a escravidão, e esta Instituição tem "consabida existência" infinitamente maior do que o sistema COC.
Dessa forma, em sede de cognição sumária, antes da apresentação de defesa por parte dos réus e produção de qualquer prova a respeito da veracidade das alegações trazidas pelas partes, o texto da agravante não poderia ter sido retirado de circulação, pois tal medida desrespeita a liberdade de expressão da agravante, presente em nossa Constituição, que, aliás, também resguarda o direito de resposta, exercido pelo sistema COC, e o direito à indenização, faculdade também exercida pela agravada, que já invocou o Poder Judiciário, por meio da ação principal.
Ante o exposto, a opinião da sra. Mirian Macedo, que deu ensejo à presente ação judicial e a inúmeras manifestações em diversos sites, sendo alvo, inclusive, de reportagem da Revista Veja (fls. 332/333), não pode, nesta fase de cognição sumária, ser censurada.
Assim, pelo meu voto, rejeito as preliminares e dou provimento ao recurso para afastar o entendimento do magistrado singular e permitir a veiculaçào, por ora, do texto em questão, sem incidência de qualquer multa.
Visite e divulgue o http://www.escolasempartido.org/

- NOVIDADES -

PT denuncia propaganda antipetista em escola do DF. Leia aqui.
Denúncia de propaganda partidária em apostila do Anglo Vestibulares. Leia aqui.
Abaixo-assinado contra o molestamento ideológico no Colégio de São Bento. Leia também o comentário de Reinaldo Azevedo.
Educação ou lavagem cerebral?, por Juan Ygnacio Koffler Anazco.
Coordenador do EscolasemPartido.org comenta entrevista do Ministro da Educação à revista Veja. Leia aqui.
Mais uma denúncia de Ali Kamel: livro de História faz propaganda do PT. Não deixe de ler os comentários de Reinaldo Azevedo
Participe da Campanha do Cartaz Antidoutrinação
Caso COC: dossiê completo

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação V

Assim se abre um dos artigos postados no blog Escola Sem Partido: "A contaminação político-ideológica do ambiente acadêmico afeta gravemente os exames vestibulares, já que o professor militante é também, eventualmente, examinador militante."
Observa-se que é um processo articulado, consciente e meticuloso de lavagem cerebral completa. Hoje, o raro é encontrar algum professor universitário, especialmente, os das instituições públicas, que não defenda ou milite à esquerda. Não se sabe se apenas para ser bem-visto ou como engajado, mas é fato. A questão é fruto de uma malversação acerca dos conceitos sobre o que é ser liberal, conservador, de direita, etc. Embora, os mais bem aquinhoados de conhecimento saibam que os termos "esquerda" e "direita" precindem de uma reavaliação cronológica e ideológica, preferem continuar dando a conotação que lhes convém.
Sabe-se que há inumeráveis maneiras de se impregnar as consciências com a ideologia que se quer. Em uma prova de vestibular isto pode acontecer desde a escolha dos examinadores, passando pelos livros indicados no programa da universidade, textos utilizados, imagens selecionadas, fatos abordados nos enunciados até as próprias alternativas. O método mais utilizado na atualidade é o recorte proposital dos fatos pré-estabelecidos. Tal recorte, conciste em selecionar apenas as abordagens que satisfazem a intecionalidade maniqueísta e dirigista por trás do processo.
Na trama, apresentam de forma insinuosa os exploradores e explorados, os oprimidos e os opressores, as vítimas e os vitimadores. Neste sentido, fazer um bom vestibular está muito além de se preparar, conhecer os assuntos delimitados nos editais das universidades. Passa, obrigatoriamente, pelo fundo da agulha ideológica dos doutrinadores e aliciadores da educação. O candidato necessita além do essencial, tentar advinhar como pensa o examinador, isto é, se ele é de centro, de esquerda ou de direita. O estudante se sente como o personagem do livro, "O Processo" de Fraz Kafka. É massacrado dentro de uma máquina preconcebida para filtrar o acesso ao ensino superior. Esta é uma ação deliberada para retirar o que se convencionaou chamar no Brasil de "elites dominadoras" do poder. Porém, se isto tudo é um processo diálético, no final acabará substituindo uma "elite" por outra construída desonestamente. Bem diz o adágio popular: "quem desdenha, quer comprar", pois a esquerda faz, agora, exatamente o que sempre criticou e condenou na direita, e um pouco mais.
No mesmo blog "Escola Sem Partido", sob o título, "educação sem doutrinação", na seção vestibular, encontra-se a opinião do advogado e coordenador do blog, Miguel Nagib, o artigo "Vestibular Vermelho", o seguinte: "Nagib resume as características do que considera uma questão com influências ideológicas: “a realidade é resumida ao lado bom de um lado, e o lado mau do outro; do lado bom estão sempre os trabalhadores, os índios, os países do Terceiro Mundo, revolucionários em geral, Che Guevara – ídolo absoluto –, a Revolução Francesa, Cuba, o MST, o socialismo, o humanismo, o Renascimento; do lado mau estão sempre a Idade Média, a Igreja Católica, os Estados Unidos, o capitalismo, a burguesia, os militares”. No entanto, o advogado faz uma ressalva: “o problema não é falar mal – os erros devem ser sempre apontados. O problema é ignorar e esconder qualquer coisa que os ‘vilões’ tenham feito de bom, e que os ‘mocinhos’ tenham feito de ruim”, diz."
Qualquer concepção histórica que avalia como o bem, e como, invariavelmete verdadeiro, apenas um fato e seus atores, não pode ser encarada como historiografia, mas como fábula artificialmete composta para enganar os incautos. A primeira e mais premente característica do cronista é ser imparcial, pois do contrário, estará amestrando e aliciando as mentes.
A dita, ou maldita, esquerda perdeu a noção de que há intelectualidade e racionalidade, ignora que à direita e nos campos neutros, se é que eles existem, também haja quem pense.

A Escola Como Elemento de Doutrinação IV

Entre as muitas tentativas de justificar o dirigismo e o patrulhismo ideológico nos livros didáticos, ressalta-se com importante a do professor Célio Cunha, assessor de educação da UNESCO, no Brasil. Ele põe em campo a sua teoria: "os professores empreenderam uma grade luta de retorno à democacia, estamos em uma fase de transição. Naturalmente estes livros refletem a realidade recente do país. É a continuidade desse processo que nos colocará, daqui a alguns anos, em um ponto de equlíbrio." Acontece que, qualquer pessoa que tenha o mínimo de formação acadêmica sabe que não se pode fazer futurologia histórica. Além do mais, onde o socialismo foi instaurado e produziu democracia? Este processo de transição já provou historicamente ser uma faca de dois gumes: ou leva o país a uma guerra civil ou implanta uma ditadura de esquerda, à semelhança do que já aconteceu em Cuba, Leste Europeu, Albânia, e vem acontecendo na Venezuela, Bolívia, etc.
Os "esquerdofrênicos" sempre culpam a "ditadura miliatar" por todas as mazelas do Brasil. Todavia, deixam de mostrar o reverso da moeda, onde, o regime militar, ainda que autoritário, fez muito pelo país e, graças a inúmeras obras realizadas é que hoje, governos esquerdistas conseguem algum sucesso em termos econômicos. Em muitos setores onde a iniciativa privada não teve ânimo para atuar, os militares entraram e realizaram obras importantíssias para o contexto atual do país. Alegar que tais obras foram as custas do endividamento, não é a única resposta possível, pois nenhum país subdesenvolvido consegue sobreviver sem uma relação macroeconômica com os mercados mundiais. E, tal relação passa obrigatoriamente pela dependência financeira e tecnológica.
A pedagoga da Universidade de Brasília, Bárbara Freitag, argumenta na reportagem da revista Época, alçando a seguinte pérola: "os livros de história de qualquer sociedade não têm, necessariamente, um compromisso com a verdade. Diariamente aparecem denúncias e descobertas que impõem a revisão do que se escreveu e permitem uma aproximação à verdade." Resta saber a que categoria de verdade ela se refere, porque colocar uma visão unilateral, na qual o socialismo é a única via plausível a uma determinada sociedade, é, no mínimo, simplista para não dizer tolo. O que está sendo discutido neste momento acerca dos livros didático não é, se o conteúdo escrito é uma verdade indefectível, mas, sim, o porquê de se divinizar o socialismo e satanizar o capitalismo e todos os seus pressupostos.
Os latinos diziam que a história é mãe e mestra "historia matter et magistra est". Em que sentido este brocardo faz sentido? No aspecto em que a compreensão dos fatos passados permite reorientar os rumos do presente a fim de evitar erros futuros. Assim, pode-se tomar a lição da história recente na Alemanha. Após a II Guerra Munial, a Alemanha foi dividia por conta da composição dos vencedores da guerra na Conferência de Yalta. Assim, formaram-se a RFA - República Federal da Alemanha - chamada de Alemanha Ocidental que permanece no sitema capitalista sob intervenção dos Estados Unidos, da França e da Inglaterra. A outra fatia da Alemanha tornou-se a RDA - República Democrática da Alemanha - cognominada de Alemanha Oriental, a qual, por força da intervenção soviética adotou o modelo socialista. Pois bem, algumas décadas depois, os rumos da "guerra fria" foram alterados e a "cortina de ferro" foi removida. Houve a reunificação das Alemanhas em Outubro de 1990, e o que se viu na medida em que o "muro da vergonha" foi sendo retirado? Viu-se a Alemanha Ocidental, capitalista, quarta potência econômica do mundo e a Alemanha Oriental, socialista, um dos países mais atrasados socioeconomicamente do mundo. Ora, quer laboratório mais eloqüente do que este? Porque os países do Leste Europeu, entre eles a Alemanha, não prosperaram? Seria mesmo o socialismo a única via possível ao bem-estar do homem e da sociedade como um todo? Porque os países da antiga "Walfare States", todos capitalisas, conseguiram um padrão socioeconômico muito acima do padrão conseguido em países ditos socialistas, entre eles Cuba, Albânia, Coréia do Norte, etc?
Em sociedades mais conscientes e mais verdadeiras, os pais participam atentamente ao desdobramento do processo educativo dos seus filhos. Na Iglaterra, por exemplo, cobraram das autoridades explicações de o porquê de os livros de hitória estarem abrandando os fatos que falam da colonização inglesa e da participação do país nas duas grandes guerras mundiais. A explicação foi que, na Inglaterra há muitos alunos de origem indiana e africana nas escolas, a suavização ajudaria a evitar nacionalismo e do xenofobismo.
Na Alemanha, por exemplo, as autoridades são mito exigentes, não apenas com o teor dos livros didáticos, mas com os professores que darão as aulas. Se um professor suavizar o nazismo, é imediataente exonerado. Qualquer demonstração de nacionalismo, como, cantar o hino nacional na escola é vetada.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, o ensino dirigista e unilateral nos livros didáticos e o patrulhamento ideológico do professor distorcem a finalidade da educação. A questão é que muitos desses professores conduzem o processo em sala de aula por pura passionalidade e não com profissionalismo. Alguns alegam que é necessário despertar a cosciência crítica dos jovens, todavia, para eles, esta consciência crítica só tem validade se for do ponto de vista marxista ou esquerdista. Assim, se comprova o dirigismo e o patrulhismo ideológico, causando um profundo dano pessoal aos estudantes, deteriorando a finalidade e os objetivos da educação, além de prejudicar o avanço do país rumo à modernidade, visto que o modelo socialista é estatizante, coletivista e anti-democrático em sentido mais amplo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação III

O aspecto mais intrigante no processo de lavagem cerebral nas escolas é a escolha dos livros didáticos. O jornalista Ali Kamel de O Globo foi o primeiro a questionar os conteúdos dos livros didáticos. Ele publicou diversos artigos criticando o conteúdo dirigista e patrulhista de alguns livros adotados pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão petista. Kamel deu ênfase ao livro Nova História Crítica, como sendo uma "tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialistmo."
Acontece que os livros didáticos são distribuídos para nada menos do que 42 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio em todo país. Neste ponto, os estudantes se tornam mármores brutos, nos quais os "esquerdopatas" vão esculpindo as suas ideologias contorcidas da realidade.
A revista Época, de 22 de Outubro de 2007, traz em suas páginas 60 a 70, uma vasta análise de alguns livros didáticos, sob o título: "O que estão ensinando às nossas crianças?" A reportagem mostra por confrontação, o que diz determinado capítulo e o que falta ser dito neste mesmo capítulo. Desta forma fica evidente o caráter sectarista e manipulador dos conteúdos dos tais livros. Além disso, a reportagem de Época, ressalta as posições de alguns acadêmicos e do próprio MEC, na pesossa do atual ministro da educação, Fernando Haddad. Há quase uma unanimidade em concordar com os conteúdos, e o ministro da educação apoia a escolha dos livros com os conteúdos unilaterais, óbvio!
Na página 69, a reportagem da referida revista mostra um esquema de como os livros didáticos são escolhidos. Nas escolas públicas a seqüência é a seguinte: "o autor escreve o livro didático"; o MEC envia os livros para as universidades públicas distribuídas por disciplinas, onde o conteúdo é avaliado por uma banca de professores da área; as univeridades têm seis meses para elaborar um parecer e justificar quais livros são aprovados ou excluídos; a lista é reenviada ao MEC, que envia a lista de exclusão e a justificativa de tal, dos livros não aprovados pelas editoras; a lista é disponibilizada na internet e as escolas públicas escolhem os livros que irão utilizar; o MEC compra os livros que vão para as mãos dos alunos no início do ano letivo." Nas escolas particulares, o sitema é mais simplificado: os vendedores das editoras expõem os livros às escolas, que os adquirem ou indicam aos alunos, embora a maioria delas adotem os livros já avaliados e aprovados pelo MEC. Quanto as apostilas adotadas no lugar do livro didático em algumas escolas, são produzidas por empresas da área de educação, sendo que estas apostilas não passam por qualquer tipo de avaliação peleo MEC.
Na reportagem de Época, mostra-se o testemunho da mãe de um aluno na cidade de Lages, em Santa Catarina. Ela foi despertada quando verificou a lição de casa do filho, que estuda em uma escola da rede privada. Ao folhear o livro, "Terra e Propriedade", da coleção História Temática, encontrou uma foto de José Rainha, líder do MST. Ali, naquele conteúdo foi colocado apenas que ele era um líder social. Não havia nenhuma informação adicional, mostrando que este homem fora condenado pela justiça por diversos crimes. Ao ler mais aprofundadamente, a mãe de Gabriel de 13 anos, cursando a 7ª série à época, ficou mais indignada ao perceber a mesma apologia ao socialismo, ressaltando os poderosos sempre como os vilões, e os proletários sempre como coitados. O fato é que, neste país criou-se este paradigma: ser rico é sinônimo de ser mau, enquanto ser pobre é sinônimo de opressão programada e sistemática.
A verdade é que não se pode passar valores, juízos e ideologias unilateramente. É necessário oferecer ao estudante e ao ser humano, em geral, todas as vertentes e deixá-lo fazer a sua própria percepção crítica da realidade. Esta mania de satanizar o capitalismo e divinizar o socialismo produz na cabeça da criança uma visão maniqueísta da vida.
Estes fatos nos remetem ao livro de George Orwell, "A Revolução dos Bichos", no qual os porcos doutrinavam as ovelhas assim: "quatro patas, bom, duas patas mau". Qualquer pessoa razoavelmente inteligente, sabe que a melhor maneira de fazer ocultação da verdade é passá-la como se fora mentira. Este tem sido o processo pouco original da esquerda em todos os tempo e lugares. O material didático assume papel muito relevante neste processo, uma vez que é a única leitura entendida como tendo grande significação por parte do aluno, uma vez que é avaliada e aprovada por pessoas e órgãos supostamente confiáveis.
É salutar que se reflita e se discuta ampla e exaustivamente qualquer tema político e ideológico em uma sociedade que se gaba de ser democrática. Todavia, é insalubre conduzir as mentes numa teia de conceitos e idéias cujos fundamentos estão sendo discutidos e discutíveis nos dias atuais. O fim da "Guerra Fria" touxe no seu bojo e à tona, tudo o que estava oculto. Mostrou o falseamento dos modelos socialistas e os erros capitalistas. Nisto tudo não há nenhum mal, entretanto, quando alguém por qualquer razão resolve premiar autores que, sequer, são especialistas, utilizar livros didáticos para aliciar e conduzir meninos a uma única verdade, é, no mínimo criminoso.