terça-feira, 13 de maio de 2008

Educação Pelas Lentes de Quem Educa II

São recorrentes os modismos dos que conduzem a política educacional no Brasil. Cada ministro que sucede o anterior apresenta projetos mirabolantes com títulos pomposos, porém de pequena monta no tocante à melhoria real do desempenho. A cada nova avaliação massificada do governo, vê-se o nível de desempenho despencando. O Brasil, hoje perde em qualidade de desempenho até mesmo para alguns países mais pobres do mundo. A questão não está restrita à inteligência dos educandos, pois é ponto passivo que há multiplas formas de inteligências. Também é corrente o fato que todos os seres humanos são, em algum nível ou grau, inteligêntes o suficiente para se despontar como exímio em alguma área do conhecimento. A questão se restringe, todavia, na má qualificação dos professores, na falta de reengenharia dos educadores e da quase ausência de processos continuados e eficazes na ensinagem. Permita-me o neologismo!
É sofrível o nível dos cursos superiores que preparam os futuros professores. Há um acordo tácito entre os estudantes das cátedras de educação, visto que, aqueles necessitam de um diploma para se ingressarem rapidamente em uma profissão, enquanto estas, querem formar o máximo de turmas e aumentar os seus ganhos sem muito invetimento em tecnologias.
A maior fragilidade da base educacional consiste na dificuldade de relação correta entre o educador e o educando, bem com com o ambiente de trabalho e seus equipamentos e pressupostos. Os professores são vistos pela sociedade em geral, e pelos alunos, em particular, como alguém que não estudou e, portanto, resolveu dar aulas. É o famoso, "virou professor"! Os alunos, por sua vez, são vistos por professores que não se acham bem pagos o suficiente para desgastarem suas vidas, como preguiçosos, desinteressados e indisciplinados. De fato cada visão desta pode ser verdadeira, na medida em que não se preza por uma política educacional de qualidade e de resultados efetivos. Tudo é uma questão de ajustamento dos papéis e do cumprimento destes papéis corretamente. Comumente a família do educando é percebida como a origem da maior parte dos males do aluno, não apenas em suas deficiências de aprendizagem, mas sobretudo, em seus dilemas psicológicos, éticos e morais.
É fato em todas as áreas de atividades, que, quando um profissional não consegue desempenhar bem o seu papel, busca-se imediatamente um culpado lá fora. Na escola esta recorrência é mais visível, porque bastam meia dúzia de palavras em uma reunião pedagógica e todos balançam suas cabeças concordantemente de que o problema é o aluno e a sua família. Joga-se para fora dos portões da escola a culpabilidade a fim de se livrar de uma insatisfação e preguiça latentes. Dizem que, quando se repete indefinidamente uma mentira, com o tempo ela passa a ser vista como verdade. Este é um método bolchevista muito praticado em escolas.
Na referida pesquisa do primeiro artigo apontou-se como principais problemas da sala de aula, os seguintes: 77% são devidos à ausência dos pais no acompanhamento dos filhos em termos educacionais. É fato que eles jogam os filhos para dentro dos portões da escola e entrega-lhes absolutamente aos cuidados de diretores, professores e assistentes. Cerca de 70% afirmam que os alunos são desmotivados. Pode até ser mesmo, porque concorrem com a escola muitos atrativos de um lado e a imaturidade do educando, para a realidade da vida do outro lado. Entretanto, os "pensadores" da educação devem estabelecer parâmetros para equacionar esta falha também. Ainda, cerca de 69% atribuem ao insucesso do aprendizado à indisciplina e a falta de atenção dos educandos. Isto é o óbvio ululante, pois na infância e na adolescência, em plena explosão hormonal, em aberta descoberta do sentido da vida e dos acenos mais atraentes da parafernalha oferecida pela sociedade tecnocrata, quem vai dar valor a aula? Quanto mais, quando o que rege a classe é, por definição e por natureza um mal informado, mal humorado e mal educado no sentido de educação formal.
Neste cenário aparecem os burocratas implantados nos gabinetes ministeriais, nos conselhos de educação e nas secretarias de educação pelos amigos políticos. Muitos destes desinformatas sairam da militância como cabos eleitorais para uma confortável poltrona de couro em algum gabinete. Nunca estiveram em uma escola na periferia de uma grande cidade dando aulas. Traçam seus planos mirabolantes, às custas de assessores igualmente desinformados que não passam de intelectualóides de esquerda ou de direita, os quais copiam projetos bons para a Suíça e querem que dêem certo no Brasil.

Nenhum comentário: