domingo, 27 de janeiro de 2008

O Apagão Educacional do Governo I

O anexim popular afirma que o pior cego é aquele que não quer ver. Neste sentido, há muitos cegos no Brasil hoje, particularmente no tocante à educação. Enquanto os gestores públicos insistem nas políticas meramente quantitativas, se esquecem das políticas de melhorias qualitativas. Não adianta se preocupar em publicar relatórios convincentes pelo número de matriculados no ensino fundamental, médio ou superior. Ufanar-se de quantas crianças foram levadas à escola; de quantos universitários tiveram acesso ao financiamento educativo; ou de quantos estudantes concluiram uma determinada série; ou de quantos fizeram pós-graduação, mestrado ou doutorado, não eleva a realidade educaional a um plano de excelência.
O desempenho dos estudantes brasileiros é vergonhoso no ranking internacional, segundo a OCDE. Em 57 países, o Brasil ficou no 53º lugar em matemática, no 48º lugar em leitura numa amostragem de 56 países. Na área de ciências a situação não foi muito animadora também, visto que o Brasil ficou no 52º lugar. Evidentemente, os responsáveis pela gestão da educação no Brasil saíram em sua própria defesa, procurando algum ponto de apoio para salvar alguma coisa. Mas, o fato é que está mal, independentemente de posições em rankings nacionais ou internacionais. A questão não é de aparências, mas de eficiência e eficácia que se traduzem em elevação do nível de qualificação profissional.
O interessante é que os dois últimos governos de esquerda escancararam as portas para o surgimento de novas faculdades particulares. Autorizaram centenas de novos cursos em municípios cuja população e o mercado não comportam mais do que uma faculdade e alguns poucos cursos. Tudo isto vem sendo orquestrado, exatamente para forçar as classes média e alta a migrar das universidades públicas para as particulares e, assim, reorientar a ocupação das vagas por alunos de baixa renda e/ou oriundos das escolas públicas.
Com a alteração da lei de aposentadoria, muitos dos melhores professores requereram as suas aposentadorias ou buscaram trabalho nas faculdades privadas, prejudicando muito a qualidade do ensino nas universidades públicas. Esta é outra ferida que muitos fecham os olhos e tapam com o curativo da hipocrisia.
O PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - alerta para os riscos de um baixo desempenho na educação de um país em um mundo que se globaliza e requer cada vez mais mão-de-obra altamente qualificada. Foi este programa que realizou as provas de avaliação de desempenho em 57 países, entre eles o Brasil.
As provas do ENEM de 2007 mostraram a seguinte realidade: 51,52% na parte objetiva, 55,99% na redação em uma escala de 0 a 100. Cerca de 2,7 milhões de estudantes compareceram para fazer o exame.
A avaliação dos cursos superiores foi igualmente calamitosa, por isso, o MEC ameaça fechar cerca de 49 cursos de pedagogia e normal superior, além de 26 cursos de direito e quer também cortar cerca de 7.000 vagas de direito nas faculdades particulares.

2 comentários:

**Manuh** disse...

(b)Tio gostei muito desse artigo...
Concordo que o Brasil precisa de mudar em termos de educação...
E que temos que cobrar mais dos governantes...
Por que desse jeito não dá...
Abraços tio...
=)

Anônimo disse...

Tento acreditar na teoria de que o destino da educação brasileira é melhorar, mas não consigo. Só consigo enxergar decadência, caos! A educação influi em muitas outras questões sociais. Melhorando se aquela, melhora-se estas. Mas jogar a culpa nos governantes também não vai adiantar muita coisa. Nós também somos responsáveis pela qualidade da educação em nosso país. A educação pública não é lá essas coisas, devido também a falta de interesse dos alunos que a compõem. Hoje em dia, criou-se uma concepção de que escola é um lugar onde a criança deve ser educada até mesmo com os princípios que elas já deveriam trazer de casa. Acho que a escola não deve se limitar somente ao ensinamento escolar, deve ter ensinamento de valores também. Mas hoje, as famílias estão deixando para o professor, o papel que ela é que deveria ensinar. Antigamente, o ensino público era bom, mas os alunos davam valor. Cresci numa família onde isso sempre foi discutido. Agradeço por isso, pois me ajudou bastante em minha formação intelectual e pessoal. Minha mãe fala que antigamente, estudar, mesmo em escola pública, era uma coisa cara. Além de comprar livros, os uniformes eram caros e extremamente exigidos. Hoje, até alunos de Ensino Médio ganham os livros. Então, nesse ponto acho que a educação melhorou sim. Só que a questão é que ela não está sendo valorizada pelos alunos e pela família, pois esta também é responsável pela formação escolar de uma pessoa.

Vou adicionar seus blogs em meus links viu Santos...

Gostei muito.

Beijo!