O aspecto mais intrigante no processo de lavagem cerebral nas escolas é a escolha dos livros didáticos. O jornalista Ali Kamel de O Globo foi o primeiro a questionar os conteúdos dos livros didáticos. Ele publicou diversos artigos criticando o conteúdo dirigista e patrulhista de alguns livros adotados pelo Ministério da Educação (MEC) na gestão petista. Kamel deu ênfase ao livro Nova História Crítica, como sendo uma "tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialistmo."
Acontece que os livros didáticos são distribuídos para nada menos do que 42 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio em todo país. Neste ponto, os estudantes se tornam mármores brutos, nos quais os "esquerdopatas" vão esculpindo as suas ideologias contorcidas da realidade.
A revista Época, de 22 de Outubro de 2007, traz em suas páginas 60 a 70, uma vasta análise de alguns livros didáticos, sob o título: "O que estão ensinando às nossas crianças?" A reportagem mostra por confrontação, o que diz determinado capítulo e o que falta ser dito neste mesmo capítulo. Desta forma fica evidente o caráter sectarista e manipulador dos conteúdos dos tais livros. Além disso, a reportagem de Época, ressalta as posições de alguns acadêmicos e do próprio MEC, na pesossa do atual ministro da educação, Fernando Haddad. Há quase uma unanimidade em concordar com os conteúdos, e o ministro da educação apoia a escolha dos livros com os conteúdos unilaterais, óbvio!
Na página 69, a reportagem da referida revista mostra um esquema de como os livros didáticos são escolhidos. Nas escolas públicas a seqüência é a seguinte: "o autor escreve o livro didático"; o MEC envia os livros para as universidades públicas distribuídas por disciplinas, onde o conteúdo é avaliado por uma banca de professores da área; as univeridades têm seis meses para elaborar um parecer e justificar quais livros são aprovados ou excluídos; a lista é reenviada ao MEC, que envia a lista de exclusão e a justificativa de tal, dos livros não aprovados pelas editoras; a lista é disponibilizada na internet e as escolas públicas escolhem os livros que irão utilizar; o MEC compra os livros que vão para as mãos dos alunos no início do ano letivo." Nas escolas particulares, o sitema é mais simplificado: os vendedores das editoras expõem os livros às escolas, que os adquirem ou indicam aos alunos, embora a maioria delas adotem os livros já avaliados e aprovados pelo MEC. Quanto as apostilas adotadas no lugar do livro didático em algumas escolas, são produzidas por empresas da área de educação, sendo que estas apostilas não passam por qualquer tipo de avaliação peleo MEC.
Na reportagem de Época, mostra-se o testemunho da mãe de um aluno na cidade de Lages, em Santa Catarina. Ela foi despertada quando verificou a lição de casa do filho, que estuda em uma escola da rede privada. Ao folhear o livro, "Terra e Propriedade", da coleção História Temática, encontrou uma foto de José Rainha, líder do MST. Ali, naquele conteúdo foi colocado apenas que ele era um líder social. Não havia nenhuma informação adicional, mostrando que este homem fora condenado pela justiça por diversos crimes. Ao ler mais aprofundadamente, a mãe de Gabriel de 13 anos, cursando a 7ª série à época, ficou mais indignada ao perceber a mesma apologia ao socialismo, ressaltando os poderosos sempre como os vilões, e os proletários sempre como coitados. O fato é que, neste país criou-se este paradigma: ser rico é sinônimo de ser mau, enquanto ser pobre é sinônimo de opressão programada e sistemática.
A verdade é que não se pode passar valores, juízos e ideologias unilateramente. É necessário oferecer ao estudante e ao ser humano, em geral, todas as vertentes e deixá-lo fazer a sua própria percepção crítica da realidade. Esta mania de satanizar o capitalismo e divinizar o socialismo produz na cabeça da criança uma visão maniqueísta da vida.
Estes fatos nos remetem ao livro de George Orwell, "A Revolução dos Bichos", no qual os porcos doutrinavam as ovelhas assim: "quatro patas, bom, duas patas mau". Qualquer pessoa razoavelmente inteligente, sabe que a melhor maneira de fazer ocultação da verdade é passá-la como se fora mentira. Este tem sido o processo pouco original da esquerda em todos os tempo e lugares. O material didático assume papel muito relevante neste processo, uma vez que é a única leitura entendida como tendo grande significação por parte do aluno, uma vez que é avaliada e aprovada por pessoas e órgãos supostamente confiáveis.
É salutar que se reflita e se discuta ampla e exaustivamente qualquer tema político e ideológico em uma sociedade que se gaba de ser democrática. Todavia, é insalubre conduzir as mentes numa teia de conceitos e idéias cujos fundamentos estão sendo discutidos e discutíveis nos dias atuais. O fim da "Guerra Fria" touxe no seu bojo e à tona, tudo o que estava oculto. Mostrou o falseamento dos modelos socialistas e os erros capitalistas. Nisto tudo não há nenhum mal, entretanto, quando alguém por qualquer razão resolve premiar autores que, sequer, são especialistas, utilizar livros didáticos para aliciar e conduzir meninos a uma única verdade, é, no mínimo criminoso.

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