quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Escola Como Elemento de Doutrinação V

Assim se abre um dos artigos postados no blog Escola Sem Partido: "A contaminação político-ideológica do ambiente acadêmico afeta gravemente os exames vestibulares, já que o professor militante é também, eventualmente, examinador militante."
Observa-se que é um processo articulado, consciente e meticuloso de lavagem cerebral completa. Hoje, o raro é encontrar algum professor universitário, especialmente, os das instituições públicas, que não defenda ou milite à esquerda. Não se sabe se apenas para ser bem-visto ou como engajado, mas é fato. A questão é fruto de uma malversação acerca dos conceitos sobre o que é ser liberal, conservador, de direita, etc. Embora, os mais bem aquinhoados de conhecimento saibam que os termos "esquerda" e "direita" precindem de uma reavaliação cronológica e ideológica, preferem continuar dando a conotação que lhes convém.
Sabe-se que há inumeráveis maneiras de se impregnar as consciências com a ideologia que se quer. Em uma prova de vestibular isto pode acontecer desde a escolha dos examinadores, passando pelos livros indicados no programa da universidade, textos utilizados, imagens selecionadas, fatos abordados nos enunciados até as próprias alternativas. O método mais utilizado na atualidade é o recorte proposital dos fatos pré-estabelecidos. Tal recorte, conciste em selecionar apenas as abordagens que satisfazem a intecionalidade maniqueísta e dirigista por trás do processo.
Na trama, apresentam de forma insinuosa os exploradores e explorados, os oprimidos e os opressores, as vítimas e os vitimadores. Neste sentido, fazer um bom vestibular está muito além de se preparar, conhecer os assuntos delimitados nos editais das universidades. Passa, obrigatoriamente, pelo fundo da agulha ideológica dos doutrinadores e aliciadores da educação. O candidato necessita além do essencial, tentar advinhar como pensa o examinador, isto é, se ele é de centro, de esquerda ou de direita. O estudante se sente como o personagem do livro, "O Processo" de Fraz Kafka. É massacrado dentro de uma máquina preconcebida para filtrar o acesso ao ensino superior. Esta é uma ação deliberada para retirar o que se convencionaou chamar no Brasil de "elites dominadoras" do poder. Porém, se isto tudo é um processo diálético, no final acabará substituindo uma "elite" por outra construída desonestamente. Bem diz o adágio popular: "quem desdenha, quer comprar", pois a esquerda faz, agora, exatamente o que sempre criticou e condenou na direita, e um pouco mais.
No mesmo blog "Escola Sem Partido", sob o título, "educação sem doutrinação", na seção vestibular, encontra-se a opinião do advogado e coordenador do blog, Miguel Nagib, o artigo "Vestibular Vermelho", o seguinte: "Nagib resume as características do que considera uma questão com influências ideológicas: “a realidade é resumida ao lado bom de um lado, e o lado mau do outro; do lado bom estão sempre os trabalhadores, os índios, os países do Terceiro Mundo, revolucionários em geral, Che Guevara – ídolo absoluto –, a Revolução Francesa, Cuba, o MST, o socialismo, o humanismo, o Renascimento; do lado mau estão sempre a Idade Média, a Igreja Católica, os Estados Unidos, o capitalismo, a burguesia, os militares”. No entanto, o advogado faz uma ressalva: “o problema não é falar mal – os erros devem ser sempre apontados. O problema é ignorar e esconder qualquer coisa que os ‘vilões’ tenham feito de bom, e que os ‘mocinhos’ tenham feito de ruim”, diz."
Qualquer concepção histórica que avalia como o bem, e como, invariavelmete verdadeiro, apenas um fato e seus atores, não pode ser encarada como historiografia, mas como fábula artificialmete composta para enganar os incautos. A primeira e mais premente característica do cronista é ser imparcial, pois do contrário, estará amestrando e aliciando as mentes.
A dita, ou maldita, esquerda perdeu a noção de que há intelectualidade e racionalidade, ignora que à direita e nos campos neutros, se é que eles existem, também haja quem pense.

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