Entre as muitas tentativas de justificar o dirigismo e o patrulhismo ideológico nos livros didáticos, ressalta-se com importante a do professor Célio Cunha, assessor de educação da UNESCO, no Brasil. Ele põe em campo a sua teoria: "os professores empreenderam uma grade luta de retorno à democacia, estamos em uma fase de transição. Naturalmente estes livros refletem a realidade recente do país. É a continuidade desse processo que nos colocará, daqui a alguns anos, em um ponto de equlíbrio." Acontece que, qualquer pessoa que tenha o mínimo de formação acadêmica sabe que não se pode fazer futurologia histórica. Além do mais, onde o socialismo foi instaurado e produziu democracia? Este processo de transição já provou historicamente ser uma faca de dois gumes: ou leva o país a uma guerra civil ou implanta uma ditadura de esquerda, à semelhança do que já aconteceu em Cuba, Leste Europeu, Albânia, e vem acontecendo na Venezuela, Bolívia, etc.
Os "esquerdofrênicos" sempre culpam a "ditadura miliatar" por todas as mazelas do Brasil. Todavia, deixam de mostrar o reverso da moeda, onde, o regime militar, ainda que autoritário, fez muito pelo país e, graças a inúmeras obras realizadas é que hoje, governos esquerdistas conseguem algum sucesso em termos econômicos. Em muitos setores onde a iniciativa privada não teve ânimo para atuar, os militares entraram e realizaram obras importantíssias para o contexto atual do país. Alegar que tais obras foram as custas do endividamento, não é a única resposta possível, pois nenhum país subdesenvolvido consegue sobreviver sem uma relação macroeconômica com os mercados mundiais. E, tal relação passa obrigatoriamente pela dependência financeira e tecnológica.
A pedagoga da Universidade de Brasília, Bárbara Freitag, argumenta na reportagem da revista Época, alçando a seguinte pérola: "os livros de história de qualquer sociedade não têm, necessariamente, um compromisso com a verdade. Diariamente aparecem denúncias e descobertas que impõem a revisão do que se escreveu e permitem uma aproximação à verdade." Resta saber a que categoria de verdade ela se refere, porque colocar uma visão unilateral, na qual o socialismo é a única via plausível a uma determinada sociedade, é, no mínimo, simplista para não dizer tolo. O que está sendo discutido neste momento acerca dos livros didático não é, se o conteúdo escrito é uma verdade indefectível, mas, sim, o porquê de se divinizar o socialismo e satanizar o capitalismo e todos os seus pressupostos.
Os latinos diziam que a história é mãe e mestra "historia matter et magistra est". Em que sentido este brocardo faz sentido? No aspecto em que a compreensão dos fatos passados permite reorientar os rumos do presente a fim de evitar erros futuros. Assim, pode-se tomar a lição da história recente na Alemanha. Após a II Guerra Munial, a Alemanha foi dividia por conta da composição dos vencedores da guerra na Conferência de Yalta. Assim, formaram-se a RFA - República Federal da Alemanha - chamada de Alemanha Ocidental que permanece no sitema capitalista sob intervenção dos Estados Unidos, da França e da Inglaterra. A outra fatia da Alemanha tornou-se a RDA - República Democrática da Alemanha - cognominada de Alemanha Oriental, a qual, por força da intervenção soviética adotou o modelo socialista. Pois bem, algumas décadas depois, os rumos da "guerra fria" foram alterados e a "cortina de ferro" foi removida. Houve a reunificação das Alemanhas em Outubro de 1990, e o que se viu na medida em que o "muro da vergonha" foi sendo retirado? Viu-se a Alemanha Ocidental, capitalista, quarta potência econômica do mundo e a Alemanha Oriental, socialista, um dos países mais atrasados socioeconomicamente do mundo. Ora, quer laboratório mais eloqüente do que este? Porque os países do Leste Europeu, entre eles a Alemanha, não prosperaram? Seria mesmo o socialismo a única via possível ao bem-estar do homem e da sociedade como um todo? Porque os países da antiga "Walfare States", todos capitalisas, conseguiram um padrão socioeconômico muito acima do padrão conseguido em países ditos socialistas, entre eles Cuba, Albânia, Coréia do Norte, etc?
Em sociedades mais conscientes e mais verdadeiras, os pais participam atentamente ao desdobramento do processo educativo dos seus filhos. Na Iglaterra, por exemplo, cobraram das autoridades explicações de o porquê de os livros de hitória estarem abrandando os fatos que falam da colonização inglesa e da participação do país nas duas grandes guerras mundiais. A explicação foi que, na Inglaterra há muitos alunos de origem indiana e africana nas escolas, a suavização ajudaria a evitar nacionalismo e do xenofobismo.
Na Alemanha, por exemplo, as autoridades são mito exigentes, não apenas com o teor dos livros didáticos, mas com os professores que darão as aulas. Se um professor suavizar o nazismo, é imediataente exonerado. Qualquer demonstração de nacionalismo, como, cantar o hino nacional na escola é vetada.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, o ensino dirigista e unilateral nos livros didáticos e o patrulhamento ideológico do professor distorcem a finalidade da educação. A questão é que muitos desses professores conduzem o processo em sala de aula por pura passionalidade e não com profissionalismo. Alguns alegam que é necessário despertar a cosciência crítica dos jovens, todavia, para eles, esta consciência crítica só tem validade se for do ponto de vista marxista ou esquerdista. Assim, se comprova o dirigismo e o patrulhismo ideológico, causando um profundo dano pessoal aos estudantes, deteriorando a finalidade e os objetivos da educação, além de prejudicar o avanço do país rumo à modernidade, visto que o modelo socialista é estatizante, coletivista e anti-democrático em sentido mais amplo.

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